quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Rio clama por um novo rumo: INTERVENÇÃO JÁ!!!



No Domingo 23 de julho, em uma das praias da Cidade Maravilhosa, 91 cruzes negras foram fincadas na areia, simbolizando os policiais militares mortos ao longo dos primeiros meses de 2017.

Na parte da tarde a senhora Fernanda, viúva do sargento Hudson, morto no Vidigal, concedeu entrevista ainda no necrotério. Dizia ela: “Eu estou viúva sem marido, meus filhos órfãos sem pai, enquanto o governador do estado está em um SPA de 14.000 reais por semana”.

Pouco importa quem irá pagar essa conta no SPA. Importa, sim, saber que a pessoa que deveria estar no comando da gestão estadual nesse momento de indiscutível crise que se aproxima do caos social toma tal atitude. Afinal, doentes buscam em hospitais ou casas de saúde a recuperação de seus males. tentar explicar que um SPA também seja um local para tratamento de saúde não convence aqueles que buscam as UPAs e os |Hospitais públicos e deixam de ser atendidos por absoluta falência da máquina governamental. Soa, sim, como escárnio, pouco caso com os seus semelhantes.

Sexta feira, 14 de julho, após palestra que fiz ao final da tarde no IBMEC Rio, eu retornava ao meu lar quando no início da noite, às 20:00 hs, num engarrafamento, em local de grande trânsito e bem iluminado junto ao estádio do Maracanã, fui vítima de um atentado a minha vida, com o disparo de uma arma de fogo por alguém que nada me subtraiu; muito pelo contrário, me deu a chance de sobreviver para dar ainda maior utilidade a minha vida.

Com o braço direito dilacerado pelo tiro, e com forte hemorragia fruto do rompimento da artéria ligada a veia cava, consegui energia e lucidez para conduzir meu próprio carro até o hospital mais próximo onde mereci os primeiros socorros e a cirurgia ortopédica para recomposição do úmero dilacerado em fratura exposta. Do ocorrido, resta a paralisação de minha mão direita como resultado do rompimento do nervo axial. Como destro que sou, terei que me reeducar e superar as adversidades resultantes desse lamentável episódio.

Longe de mim a intenção de me vitimizar ou tornar-me mártir. No entanto, a mesma lucidez que tive me leva a profundas reflexões. Como terão reagido Roosevelt, Churchill ou Stalin nas doenças de que certamente padeceram durante a Segunda Grande Guerra? Terão eles buscado recuperação em estâncias de repouso de alto luxo em suas regiões? Ou terão se mantido com sobriedade a frente de seus postos de comando, inspirando seu povo a resistir e perseverar na direção da vitória?

Semana passada numa grande reunião em Brasília em que representantes do Governo Federal e do Estado reuniram-se para anunciar ao povo “nenhuma novidade”, como se socorro estivesse sendo concedido magnanimamente ao Estado do Rio, assistimos a lamentável entrevista do Governador que em atitude de espanto declarou publicamente que desconhecia que os reforços anunciados já se encontravam no Estado sob o seu comando. Se fosse o líder de nossa família, essas e outras atitudes levariam os familiares a pensar na interdição de uma pessoa que demonstra ter perdido lucidez e o senso de decisão. Como se trata de alguém eleito pela população, não há que se cogitar dessa solução jurídica. Porém a Constituição Federal aponta remédio legal para situações semelhantes às vividas pelo povo fluminense. Refiro-me ao artigo 34 que dispõe sobre as condições de intervenção da União nos Estados em situação de exceção.

Nestes dias de UTI e em meu leito hospitalar mantive minhas orações, constantes desde menino, em peço a Deus forças para ser útil a cada dia, a um número sempre maior de pessoas. Fruto dessas reflexões entendo que minha sobrevivência me impulsiona a propor que o povo fluminense e os cariocas como parte, tenha a altivez de clamar à Nação para que a União faça, sem maiores delongas, a sua parte cumprindo o disposto na artigo 34 da Constituição Federal.

Os cariocas viram a capital federal lhes ser subtraída e nada disseram à época. Fluminenses e cariocas viram a fusão dos seus Estados acontecer sem que nada tivessem dito na ocasião própria. Lembra o poema do niteroiense Eduardo Alves da Costa (No Caminho com Maiakóviski). Esse é, pois, o momento de tomarmos as rédeas de nosso destino e como povo apontar a solução: a aplicação do artigo 34 da Constituição Federal.

Da Tribuna Ivette de Castro Siqueira, do Rotary Club RJ – Tijuca, assim como na reunião Plenária do CR RJ, fiz estas minhas palavras ecoarem como sementes plantadas em solo fértil no coração dos que me ouçam ou leiam,  alcançando meus irmãos fluminenses e fazendo com que o clamor pela intervenção da União no Estado do Rio de Janeiro dê novo rumo à nossa História, virando a triste página do vazio governamental que nos faz temer mais e mais a cada novo dia.










Ilustração http://economia.estadao.com.br/blogs/o-direito-ao-seu-alcance/a-constituicao-da-republica-completa-27-anos/ colhida em 26/7/17

domingo, 9 de julho de 2017

Equipes são como Correntes




Servir é um instinto animal

Por instinto, animais se inquietam com animais. Cães demonstram o senso de proteção de seus semelhantes assim como aves e tantas outras espécies.

Também por instinto, animais se inquietam com seres humanos. Na equoterapia cavalos propiciam a superação dos desafios de pessoas com deficiências ou necessidades especiais. Cães são adestrados como guias de deficientes visuais; identificam drogas camufladas; buscam sobreviventes em escombros.

Por compaixão, seres humanos são solidários com animais. Ao invés de sacrificar aqueles com deficiências, a sociedade busca o desenvolvimento científico para a superação de circunstâncias adversas. Próteses e órteses são cada vez mais comuns. O bico de um tucano pode ser recomposto por uma prótese impressa em 3D com material derivado do milho (ácido poli lático), restituindo a capacidade do animal se alimentar.

Pessoas se mostram solidárias com animais e com outras pessoas, simultaneamente. Quando um animal de estimação se sente perdido de seu habitat é comum que pessoas estranhas ajudem o animal em demonstração de solidariedade ao seu tutor humano.

Seres humanos são solidários com seus semelhantes. Basta lembrar as inúmeras organizações de voluntários como a Cruz Vermelha Internacional, os Médicos Sem Fronteiras, o Exército de Salvação, e os clubes de serviços como Lions e Rotary International, e tantas outras. São comuns as demonstrações de apoio mútuo entre humanos, quer no cotidiano em entidades como a Casa Ronald McDonald, quer em catástrofes ocasionais como os salvamentos em inundações ou incêndios.

Por sua relevância na sociedade moderna, a solidariedade foi reconhecida pelas Nações Unidas como um dos valores fundamentais para as relações internacionais no Século XXI. Em setembro de 2000, líderes de estado e de governo de 189 países se reuniram em Nova York para reafirmar sua “fé na Organização e em sua Carta como fundamentos indispensáveis de um mundo mais pacífico, próspero e justo”. Os valores considerados fundamentais incluíam a liberdade, a igualdade, a solidariedade, a tolerância, o respeito pela natureza e a responsabilidade compartilhada.

Aristóteles afirmou que “nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência não é um ato, mas um hábito”.  Aquele que desenvolve o hábito da solidariedade como atitude espontânea, tende a ser reconhecido como pessoa que faz a diferença em suas comunidades.


Liderar para servir

Desde suas origens primitivas, o homem demonstra ser um animal que vive em grupos. Seu instinto gregário é semelhante ao de outros animais. Busca estar entre seus comuns para se proteger das adversidades.

Com a evolução da espécie desenvolveu o espirito da família e cultuou seus valores.

A produção veio a requerer a organização de grupos e estes fizeram surgir aqueles que se destacam entre seus semelhantes para facilitar atingir objetivos comuns. Comandantes perfilam a frente de suas tropas nas forças militares. Chefes conduzem as tarefas daqueles que lhes são subordinados nas empresas. E quanto aos Líderes? Há quem se apresse em dizer (por óbvio) que líderes lideram. Prefiro outra expressão: Líderes inspiram!

É atribuída a Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) a máxima de que “Palavras comovem ... e os exemplos arrastam!” Perfeito!

É comum que se associe a prática da liderança a outras pessoas com as quais lidamos em nossas atividades. Mas será que liderar “os outros” é o maior desafio? Será liderar os colegas, os colaboradores, os familiares? Ou será a própria pessoa o mais instigante de todos?

Jacob Petry, em O Óbvio Que Ignoramos, conclui que “após descobrir nossos talentos,                    temos de definir um propósito claro e específico que nos ajude a dar um sentido à nossa vida.”

A definição pelo próprio indivíduo do sentido de sua vida lhe possibilita assumir a liderança de seu destino.


Servir em Equipe

Todas as equipes suscitam expectativa por parte daqueles que as rodeiam, que com elas interagem, a respeito de sua performance.

O trabalho em equipe é uma permanente fonte de aprendizado. Cada membro deve sentir autoconfiança e liberdade para exercitar a sua criatividade sem, contudo, ferir a disciplina e a harmonia de atuação do grupo.

Superação, determinação, persistência e perseverança são caraterísticas das equipes de grande desempenho.

Todos os seus integrantes devem manter confiança mútua e se habilitarem a suprir as eventuais deficiências daquele que atua a seu lado.

A resistência de uma corrente se mede pelo seu elo mais frágil. Quer dizer que todos devem estar atentos a todos, permanentemente, de modo apoiar aquele que, por circunstâncias da vida, demonstre momentos de insegurança, de instabilidade, de debilidade, de fraqueza, de modo que se sinta fortalecido e incentivado a perseverar, persistir, superar a sua adversidade, sem jamais deixar de se sentir parte do todo, da realização da equipe que integra.

Assim são as equipes: como correntes humanas fortes e dinâmicas.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Transparência e Participação

O noticiário nacional dá conta da negociação em curso entre o Ministério da Fazenda e o Estado do Rio de Janeiro de um Termo de Compromisso que deverá ser apresentado à Presidente do Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira, 26 de janeiro. As matérias incluem a transferência do controle acionário da CEDAE para o Governo Federal, como contrapartida do Governo do Estado, junto com outras medidas como corte de despesas, redução de incentivos fiscais e aumento de arrecadação por meio da alíquota da contribuição previdência.
Segundo palavras do Ministro Meireles em entrevista à imprensa em 24 de janeiro, no documento que vai ser assinado o Estado do Rio de Janeiro se compromete a apresentar à Assembleia Legislativa as medidas para transformação em Lei. No entanto, ainda segundo suas palavras, tal Termo será apresentado à Presidente do Supremo Tribunal Federal que, se julgar razoável, poderá antecipar até mesmo a aprovação de leis a respeito.
No tange à CEDAE, incluída na negociação como um ativo contabilizado e monetizado, entendo, de minha parte, ser indispensável que se traga à opinião pública, para conhecimento e contribuição da sociedade civil, o modelo proposto. Tenho posição isenta e defendo a tese de que no caso das empresas estaduais de saneamento, o que importa em relação ao modelo empresarial é a garantia da eficiência da gestão para a melhoria dos serviços à população. 
Entretanto, considero inadmissível que o modelo que afeta a gestão de uma empresa com a complexidade operacional da CEDAE, pela operação do sistema integrado do Guandu, que abastece uma população de mais de 9 milhões de habitantes na Capital e Cidades da Baixada Fluminense, só venha a conhecimento da sociedade após sua consagração pelos órgãos superiores da administração pública federal e estadual e, até mesmo, do Supremo Tribunal Federal. 
Urge que a opinião pública seja informada e que a clareza venha a imperar para que os serviços de saneamento sejam adequadamente prestados à população fluminense. O assunto requer Transparência para que a Participação das partes envolvidas e principais interessadas o aprimore para o bem de todos.                                           
Joper Padrão

sábado, 14 de janeiro de 2017

Privatização do Saneamento?


Sou empresário. Portanto, nada contra a iniciativa privada. Contudo, jamais serei irracional a ponto de imaginar que a livre iniciativa seja uma panaceia. Se assim o fosse, tudo estaria resolvido nos países como a Inglaterra. E a propósito vale sugerir assistir a I, Daniel Blake, em exibição nas telonas, para entendermos o quanto falta caminhar para que essa falsa ideia seja verdade.

No caso das empresas estaduais de saneamento fico à vontade para opinar pois tendo passado 49 anos de minha vida profissional numa das maiores Empresas Estaduais de Saneamento do Brasil, adquiri conhecimento prático sobre sua importância para a sociedade, especialmente para os menos favorecidos, as pessoas que vivem (se é que podemos atribuir esse termo à condição imposta aos que habitam as comunidades e favelas espalhadas por nossas cidades ...) incrustradas no tecido social que habitamos, e que chamamos de Cidade.

Soma-se a essa experiência prática, a vivência com ilustres acadêmicos e personalidades do setor, pelo convívio por todas as partes do Brasil através da ABES Associação Brasileira de engenharia Sanitária e Ambiental, em que sempre militei como o faço neste momento ao compor sua Diretoria Nacional.

Sem me considerar o dono da verdade ou a última palavra, simplesmente me afasto de ser um homem ansioso para interpretar à luz da história e com o apoio da cultura as manchetes de cada dia. A de hoje em O Globo informa: Oito estados começam a privatizar o saneamento ... BNDES abre licitação para contratar projetos de desestatização de seis empresas".

Ora, basta conhecer o curso do rio acima (para usar um jargão apropriado ...), reavivar um pouco de nossa memória recente para lembrar o processo adotado com os Bancos estaduais. Um por um, como um castelo de cartas, foi caindo nessa mesma lógica.

Ocorre que privatizar dinheiro, leva ao resumo da ópera que temos hoje. Já privatizar saneamento, requer muito mais cautela e debate com as pessoas que serão afetadas diretamente para que, em nome das gerações futuras, atitude que alguns pretendem jamais seja uma aventura privatizante.

Ontem fizeram aos bancos estaduais; hoje pretendem fazer às empresas estaduais de saneamento; será que as universidades serão o efeito Orloff de amanhã?

E para concluir estes pensamentos, me socorro do poeta niteroiense Eduardo Alves da Costa em No Caminho, com Maiakoviski:

Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada... Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa., rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

Essa é a minha intenção: mostrar minha indignação com a falta de clareza no que alguns, que se consideram donos do poder pretendem, sem jamais calar-me, sem permitir que tirem minha voz.

É preciso que se entenda com absoluta clareza qual o curso que se pretende dar com o desvio do rio abaixo porque, caso contrário, num futuro bem próximo veremos os professores (e talvez só eles ...) clamarem contra a falácia das soluções mirabolantes que só satisfazem a alguns poucos.

Joper Padrão

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O Gato Está no Telhado Mais Uma Vez


Em 1975, a proposta de fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara  partiu do Poder Executivo, conduzido naquela época por um presidente militar, o general Ernesto Geisel. Segundo ele, a fusão “já estava nas minhas cogitações antes de assumir a presidência da República. Já era um assunto que se analisava e desde então foi acertado. (...) Estudou-se como se tinha de fazer e preparou-se a legislação. Reclamam de eu não ter feito um plebiscito. Ia ser dispendioso e eu não pretendia mudar minha opinião”.

Estas informações estão no site da MultiRio, empresa da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.
Em 2017, a insistência do Governo Federal que assumiu após o impeachment faz lembrar esse episódio. E o povo fluminense deve reagir energicamente, pois mais uma vez corre o risco de ser vitimado por decisão autoritária que impactará a vida e a saúde de milhões de cidadãos sem que estes sejam ouvidos.

Agora, a ânsia de alguns, sabe-se lá movida por quais interesses indeclaráveis, se volta à privatização da CEDAE, como se essa medida viesse a solucionar os problemas da malfadada crise financeira do Estado.

Será inadmissível que daqui a algum tempo, venhamos a ler alguma entrevista, seja lá de quem for do Palácio do Planalto ou no Guanabara a dizer com desfaçatez: “Eu não consultei os interesses da população por ser dispendioso e por não pretender mudar a minha opinião ... e não querer contrariar os interesses econômicos por trás dessa minha decisão”. 

A frase final será bem apropriada nesses dias em que um dos responsáveis (no caso o casal) pela “crise” está preso no presídio que inaugurou, e que dúvidas pairam sobre outros mais, inclusive com de personalidades a quem são atribuídos pseudônimos cômicos dados por delatores de propinas ou desvios de recursos públicos por grandes empreiteiras. 

Afinal, as noticias do Ministro da Fazenda desta fatídica quarta-feira, 11 de janeiro, dizem que o gato (seja ele de que raça for) subiu no telhado mais uma vez... e está por detrás da pressão inconfessável pela privatização da empresa de saneamento do Estado.

Joper Padrão
Ex-Presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
Seção Rio de Janeiro



Ilustração: http://pt.gofreedownload.net/free-vector/vector-misc/vector-cat-on-the-roof-81486/#.WHdJQvkrI2w

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

NO NOVO TEMPO ... FELIZ DOIS MIL E SEMPRE


Em 1849 Roma vivia grandes desafios diante do cerco que lhe era imposto por tropas hostis. Nesse cenário, um perseverante deputado republicano, o bravo Giuseppe Garibaldi, bradou diante da Assembleia Romana:

La fortuna che oggi ci tradì, si arriderà domani. Lo esco da Roma; chi vuol continuare la guerra contro lo straniero venga com me. Non offro nè paga, nè quartiere, ne provvigioni; offro fame, sete, marce forzate, battaglie e morte. Chi há il nome d’Italia non sulle labbra soltanto ma nel cuore, mi segua.
A sorte, que hoje nos traiu, sorrirá para nós amanhã. Estou saindo de Roma. Aqueles que quiserem continuar a guerra contra o estrangeiro, venham comigo. Não ofereço pagamento, quartel ou comida. Ofereço somente fome, sede, marchas forçadas, batalhas e morte. Os que trazem o nome da Itália não só nos lábios, mas no coração, sigam-me.
Possivelmente inspirado nessas palavras, quase cem anos mais tarde, uma outra figura da História Contemporânea, Sir Winston Churchill , também acossado por desafios inimagináveis, fez seu célebre discurso à Câmara dos Comuns para submeter à aprovação a Moção de Confiança, que foi concedida ao Gabinete de Guerra que ele havia organizado.
I now invite the House, by the Motion which stands in my name, to record its approval of the steps taken and to declare its confidence in the new Government.
In this crisis I hope I may be pardoned if I do not address the House at any length today. I hope that any of my friends and colleagues, or former colleagues, who are affected by the political reconstruction, will make allowance, all allowance, for any lack of ceremony with which it has been necessary to act. I would say to the House, as I said to those who have joined this government: "I have nothing to offer but blood, toil, tears and sweat."
We have before us an ordeal of the most grievous kind. We have before us many, many long months of struggle and of suffering.
Convido agora a Câmara, pela moção apresentada em meu nome, a registar a sua aprovação das medidas tomadas e a afirmar a sua confiança no novo Governo.
...
Neste momento de crise, espero que me seja perdoado não falar hoje mais extensamente à Câmara. Confio em que os meus amigos, colegas e antigos colegas que são afetados pela reconstrução política se mostrem indulgentes para com a falta de cerimonial com que foi necessário atuar. Direi à Câmara o mesmo, que disse aos que entraram para este Governo: «Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor». 
Temos perante nós uma dura provação. Temos perante nós muitos e longos meses de luta e sofrimento. (²)
São passagens de dois grandes líderes que submetidos a provações incalculáveis, sem a menor ideia de como iriam superar as adversidades, jamais se deixaram abater e, ao final de suas lutas, conseguiram fazer com que seus ideais fossem alcançados. O que fizeram com suas palavras? Acenderam a chama da esperança sem seus compatriotas, sem lhes fazer falsas promessas.
Vida que segue e em 1980, por nossas bandas, a sociedade se organizava para clamar, logo adiante, pelas Diretas Já.  O Regime Militar se tornava insuportável. Grandes desafios se apresentavam aos brasileiros oprimidos pelas armas e pelo poder ditatorial.
O meio artístico se apresentava como forma de mobilização. Nesse cenário um jovem tijucano (³), o compositor  Ivan Lins, à época com seus 35 anos de idade, e Vitor Martins, seu parceiro maior, lançam o álbum Novo Tempo, cuja faixa título, inspirava seus admiradores, em música e letra, a acenderem a chama da esperança.
No novo tempo, apesar dos castigos Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer 
No novo tempo, apesar dos perigos Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver 
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança Seja sempre um caminho que se deixa de herança 
No novo tempo, apesar dos castigos De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer 
No novo tempo, apesar dos perigos De todos os pecados, de todos enganos, estamos  marcados Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver 
No novo tempo, apesar dos castigos Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer 
No novo tempo, apesar dos perigos A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
Muitos dizem que este ano de 2016 é o ano que se recusa em acabar. Há uma dinâmica extraordinária em curso, e a sociedade fica aturdida sem saber ao certo que rumo tomar.
Os mais pessimistas insistem em analisar os números e fazer projeções cada qual pior. Até parece um concurso para, ao final, poderem dizer: Eu disse, viu? Eu sabia .... a catástrofe era visível!!!
Aff para esses profetas azarões. Confirmar que o que está ruim ficou pior é ter a atitude da hiena Hardy ao se lamuriar: Oh céus, oh vida, oh azar .... isso não vai dar certo!
Mas o que de fato nos leva a essas tendências pessimistas, e o que Garibaldi, Churchill e Ivan Lins e Vitor Martins têm a ver entre si e com o réveillon que se aproxima? CREDIBILIDADE é a palavra que encontro. Sim: CREDIBILIDADE, repito.
Os que seguiam Garibaldi acreditavam em sua conduta e valentia a ponto de lhe conceder a alcunha de Herói de Dois Mundos. Churchill, com seu exemplo e eloquência manteve a coesão dos britânicos diante dos insuportáveis bombardeios sobre Londres e por todo o Reino Unido.  Ivan Lins e Vitor Marins eram, e ainda permanecem sendo, pessoas confiáveis, sem subterfúgios, lúcidos em suas inspirações.
Quando nos vemos no limiar de um novo ano, perdemos a perspectiva de acreditar na reversão da tendência pois as personalidades que conduzem os poderes públicos (com raras exceções como os Magistrados, Procuradores, e agentes da Policia Federal e Delegacia da Receita Federal  que integram forças-tarefas como a Lava-Jato), e os empresários e controladores  das megaempresas brasileiras, hoje sabidamente pródigas em megafalcatruas pelo mundo afora, jamais serão depositários da credibilidade do povo brasileiro.
A cada dia, abrimos o jornal com a expectativa de ler qual a noticia ruim de hoje que supera a pior de ontem. Esse é o ponto central da questão: FALTA DE CREDIBILIDADE.
Certamente a forma de sair dessa situação, de reverter esse quadro, se distancia da busca do “Salvador da  Pátria” de plantão.
O que fazer então?  Unirmo-nos,  os cidadãos de bem e do bem, para que as redes de pessoas com credibilidade possa fazer a diferença. Que desses grupos possam emergir líderes que tragam consigo a credibilidade em seus corações, mais que em seus lábios.
No novo tempo, apesar dos perigos, a gente deve se encontrar na praça, nos lares, nas escolas e universidades,  fazendo pirraça pra sobreviver, pra sobreviver .
Assim, dois mil e dezessete poderá ser para nós, brasileiros, um novo tempo para podermos dizer: Feliz dois mil e sempre!





quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O Brasil, Poderoso e Feliz Há de Ser


Em 1978 prenunciavam-se, no Brasil, os ventos do fim do regime militar e a volta da democracia. Ainda pairava o medo da repressão, mas do meio artístico surgiam alguns expoentes que se expunham colocando suas ideias em forma de canção.

Cada poema, cada letra musicada tem sua razão de ser. O poeta, por sua natureza, é alguém que abre sua mente e se deixa permear por mensagens, nem sempre materializadas, que provocam o que Amit Goswani, com sua visão científica sobre a Física Quântica, denomina saltos quânticos descontínuos que acontecem nas artes, na música, na literatura, na matemática e em muitas áreas do conhecimento humano, do qual resultam os insights.

A História é escrita a cada dia. Nem sempre percebemos, porque somos os protagonistas do cotidiano e só no futuro somos capazes de voltar os olhos pra trás para lembrar dos tempos passados.

Assim estamos todos vivendo esses inesquecíveis dias de 2016 com tamanha dinâmica social.  Cada nova notícia encoraja a pensar que a Democracia esteja em ritmo acelerado de sua consolidação e que a sociedade brasileira evolui na direção de seu desenvolvimento futuro para que a Nação venha a ressurgir com novos paradigmas, abandonando alguns herdados de nossas origens mais longínquas.

Vira e mexe vem à minha mente a letra que em 1978 inspirou Ivan Lins, carioca tijucano como eu, de inesgotável veia musical, a compor Cartomante, imortalizada na voz do autor e de Elis Regina, uma de suas mais destacadas intérpretes.

Diz Ivan Lins:

Nos dias de hoje
É bom que se proteja
Ofereça a face a quem quer que seja

Nos dias de hoje esteja tranquilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares esqueça os amigos
Não pare nas praças não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não Ponha o dedo na nossa ferida... Ah...

Nos dias de hoje
Não lhes dê motivo
Porque na verdade
Eu te quero vivo

Tenha paciência
Deus está contigo
Deus está conosco
Até o pescoço

Já está escrito
Já está previsto
Por todas videntes
Pelas cartomantes

Está tudo nas cartas
Em todas as estrelas
No jogo dos Buzios
E nas profecias... ah...

Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!

A cada figura que esteve na proa dos acontecimentos nas últimas décadas, seja no meio político, seja no empresariado, e que se noticia a prisão em cárcere comum, é inevitável lembrar: Cai o Rei de cada, de todos os naipes. E que caiam, sim, independentes do porte dos cargos que ocuparam. Todos. Mandatários e até mesmo seus cônjuges se cúmplices como usufrutuários e usufrutuárias da boa vida que lhes foi proporcionada pela corrupção desenfreada.

Na Argentina, País vizinho, nosso irmãos portenhos tiveram coragem de ir fundo em suas mazelas. Agora é a nossa vez.

No dia de hoje, 07 de dezembro de 2016, quando o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo de nossa magistratura, realizar sua histórica reunião plenária para tratar com prioridade da decisão liminar de um de seus pares, estejamos tranquilos. Haja o que houver, pensemos em nossos filhos. Tenhamos paciência. Deus está conosco, até o pescoço. Já está escrito, já está previsto, por todas as videntes, pelas cartomantes, pela força da manifestação popular isenta de qualquer vinculação partidária como a deste fim de semana em inúmeras cidades de nosso País continental. Está tudo nas cartas, em todas as estrelas, no jogo de búzios e nas profecias .... que caiam todos aqueles que se locupletaram às custas dos mais sofridos que penam a cada dia nas filas dos hospitais, na falta de transportes adequados, nas mesas sem alimentação básica, nas roupas maltrapilhas.

Basta de reuniões na calada na madrugada, daqueles que indiferentes à comoção com a tragédia de Chapecó, se mostram sorrateiros para a tomada de decisões que certamente receariam tomar à luz da consciência de seus eleitores, informados pela livre imprensa que cumpre seu importante papel.

Caiam, sim, até que das estruturas antiquadas, distantes da realidade do povo, não fique nada! Sejamos perseverantes até que tudo se mostre claro e aceitável. Desde o nascimento, o ser humano sabe que para crescer há que sair da zona de acomodação, do conforto do útero materno. E isso implica em dor. E essa é a nossa fase de evolução.

Assim, o Brasil, por seus filhos amados, poderoso e feliz há de ser!









(ilustração colhida na internet em: https://contrapontosocial.wordpress.com/2016/06/07/cai-rei-de-espada-cai-o-rei-de-ouros-cai-o-rei-de-paus-cai-nao-fica-nada/)