quarta-feira, 15 de novembro de 2017

"Deseleição" pelo banimento social


Homero Higino, amigo de saudosa memória, lá pelos idos de 1983 defendia em conversas acaloradas que mantínhamos sobre o Pais, a tese da "deseleição" como forma do fortalecimento da representação democrática no Brasil.
Lá se vão mais de três décadas e o pensamento de Homero permanece vivo neste seu admirador que prossegue nesta saga.  
Com o passar dos tempos creio ter encontrado uma via para atingir nosso ideal: pelo repúdio e banimento da sociedade, e pela sociedade, desses indivíduos inescrupulosos que valendo-se da boa-fé de seus eleitores alcançaram cargos eletivos para se locupletar criando um projeto de poder nefasto, inclusive com a formação de clãs familiares que os perpetuassem como verdadeiros faraós em detrimento do desenvolvimento Social dos brasileiros.
Como "carioca da gema" e cidadão orgulhoso do Estado do Rio de Janeiro creio que a onda para a depuração de nossa sociedade deva partir da atitude corajosa de cada cidadão fluminense e de cada organização, que de uma forma ou de outra ao longo dos anos tenha dado notoriedade a esses criminosos, outorgando-lhes galhardias hoje sabidamente impróprias,  como degraus da escada de ascensão ao poder, tenha sido ele no legislativo, no executivo ou até mesmo no judiciário.
Esse tipo de "deseleição"  certamente será lento e gradual, mas eficaz. Carecerá da ação determinada e corajosa de cada cidadão de modo a impedir que seu nome ou da organização que integra estejam complacentes com a permanência desses que se locupletaram com títulos e honrarias que lhes foram concedidas quando no exercício de cargos que lhes davam notoriedade pública.
Algumas iniciativas encorajam que eu como cidadão, que participo de várias organizações da sociedade civil, me mantenha vigilante e atuante para que, a exemplo do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (vide http://justicaecidadania.odia.ig.com.br/2017-06-26/orgao-especial-tira-colar-de-honra-ao-merito-de-sergio-cabral.html - visitado em 15/aa/2017 às 10hs) e a FIRJAN Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (vide: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-09/firjan-cassa-medalha-concedida-sergio-cabral-filho - visitado em 15/11/2017 às 10hs), esses nomes sejam deletados e colocados no rol dos escórias que existirão em qualquer grupo social.
Dispensarei sempre citar os casos que através de minha intervenção direta venham a ter sucesso nessa minha caminhada pela de "deseleição" desses indivíduos indesejáveis. O que me importa é saber que fiz a minha parte; o por-fazer é só com Deus (como Fernando Pessoa - em Padrão) e com aqueles e aquelas que leiam estas reflexões e entendam por agir nessa mesma direção. 
Ainda lembrando Fernando Pessoa tudo vale a pena se a alma não é pequena. Minha alma nacionalista jamais será pequena! E certamente inspirado na celebração da Proclamação da República ouso dizer que como a bandeira nacional minha alma nunca se abaterá. Isso é o que importa, isso é o que me move, é disso que me orgulho e é por isso que labuto.  
Somos todos iguais! Ao futuro saberemos, unidos, levar. Eia, pois, brasileiros avante! Verdes louros colhamos louçãos! Seja o nosso País triunfante. Livre terra de livres irmãos!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ética e Civismo na Esfera Privada


Qual será a essência da ética? Essa pergunta instigante dá inicio ao roteiro destas reflexões: Em se tratando sobre a ética, o que será invisível aos olhos?
O pesquisador britânico James Lovelock encanta a humanidade e traz a luz do conhecimento científico com a sua hipótese de Gaia, tratando a Terra como um superorganismo vivo.
Nessa vertente, Leonardo Boff relembra a fábula-mito sobre Cuidado, atribuída a Higino, e alerta sobre a missão do ser humano saber cuidar da Mãe Terra, de Pacha Mama.
Então, considerada a importância determinante da vida plena para todos os seres, pode-se chegar a questões que contribuem para a (in) justiça social que caracteriza o mundo moderno.
As discrepâncias entre necessidades, meios e consumo, estão sintetizadas na assertiva do arquiteto Ludwig van der Roher, ao sentenciar que menos é mais.
Dai chegar-se à compreensão do papel do setor produtivo e o fortalecimento do surgente setor social como reação natural à inversão da tendência do consumismo desenfreado.
Fatos recentes nos mostram a exuberância de Códigos de ética, versus a carência da Cultura de condutas pelos seres humanos que integram as organizações.
Diante dessas circunstâncias, torna-se fácil compreender as características fundamentais entre os seres corporativos e os seres humanos, e o paralelo entre lucrar e respirar.
Assim é contextualizada a corrupção e a cultura de transgressões no mundo, no Brasil e no Rio de Janeiro.
Aproximando-nos do fecho, podemos avaliar as possibilidades de caminhos para a inversão da perversa tendência que nos afasta das práticas éticas.
Com essa narrativa conclui-se por formular um novo rumo para a sociedade, e o papel das entidades promotoras deste Seminário para pavimentar essa via com os resultados de práticas éticas na esfera privada.
ESSÊNCIA
Num certo momento, a Raposa ensina que cativar é criar laços, e afirma ao Pequeno Principe: “Eis o meu segredo. Ele é muito simples: somente vemos bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” Saint-Exupéry pode inspirar múltiplas interpretações.
Essencial é a condição principal e indispensável, o necessário, algo que não pode faltar. Deriva do latim essentiale que se refere à essência, ou seja, a substância, a ideia principal, o que constitui a natureza íntima das coisas.
Em se tratando sobre ética, faz-nos pensar: qual será a sua essência?
Ethos significa, por tradução livre do grego, valores, hábitos, harmonia. Em sua grafia com eta designa a morada do ser, do homem e do animal em geral.
A Natureza é fonte de vida e de recursos naturais. Dela tudo deriva e tudo depende; tudo surge e a ela tudo retorna. É, portanto, o útero generoso que provê a existência do homem e dos animais, o ar que esses respiram, a água com que mitigam a sede, os vegetais com que se alimentam, os minerais que lhes provém meios de desenvolvimento.
Compreendendo ética como a morada do ser e a Natureza como seu berço, concluo que a essência da ética é a VIDA. Vida em sua ampla acepção.
HIPÓTESE DE GAIA
A ideia de que a Terra – ela própria – é um ser vivo provavelmente é tão antiga quanto a civilização. A sua primeira expressão pública como fato científico data de 1785, e é de autoria do geólogo e naturalista escocês James Hutton.
Foi na década de 60 do Século passado que o pesquisador britânico James Lovelock encontrou  indícios de que a Terra se comporta como um sistema auto regulatório e portanto equivalente a um ser vivo. Lovelock reconhece a Terra como um superorganismo vivo, altamente organizado e com um equilíbrio sutil, sempre frágil e sempre por refazer. E encontrou na mitologia grega a deusa Gaia como simbolismo perfeito para fixar sua metáfora. Gaia, a Mãe Terra que surge do Caos (o vazio).
Metáfora, pois segundo o próprio autor “não pense que imagino a Terra viva de uma forma sensível, ou mesmo viva como um animal ou bactéria. Está na hora de ampliar esta definição um tanto dogmática e limitada de vida como algo que se reproduz e corrige erros de reprodução por seleção natural entre a prole.”
SABER CUIDAR
Na memorável carta dirigida ao Presidente dos Estados Unidos em 1852, o Chefe Seattle sentencia: “Somos parte da Terra e Ela é parte de nós. A Terra não pertence ao homem, o homem é que pertence à Terra. Todas as coisas são interligadas, assim como o sangue nos une a todos. O homem não teceu a teia da vida, é apenas um de seus fios. O que quer que ele faça à teia, fará a si mesmo.”
Gaia, Tellus, Pacha Mama, Mãe Terra são algumas das denominações de diferentes culturas, em diferentes épocas da Humanidade, para firmar essa compreensão de berço da vida.
Nesse contexto, o teólogo catarinense Leonardo Boff afirma: “sentir-se Terra é perceber-se dentro de uma complexa comunidade. A Terra não gera apenas a nós seres humanos. Produz a miríade de micro-organismos que compõem 90% de toda rede da vida. Produz as águas, a capa verde com a infinita diversidade de plantas, flores e frutos. Produz a diversidade incontável de animais, nossos companheiros dentro da unidade sagrada da vida, porque em todos estão presentes os 20 aminoácidos que entram na composição da vida. Para todos produz as condições de subsistência, de evolução e de alimentação, no solo, no subsolo, nas águas e no ar.
E é desse teólogo a iniciativa de traduzir do latim para o português a fábula-mito atribuída a Higino, que viveu entre 64 a.C. e 17 d.C. sobre Cuidado que vale aqui ser mencionada:
– Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro. Logo teve uma ideia inspirada. Tomou um pouco de barro e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter.
Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele. O que Júpiter fez de bom grado.
Quando, porém Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu.
Exigiu que fosse imposto o seu nome.
Enquanto Júpiter e o Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora feita de barro, material do corpo da terra. Originou-se então uma discussão generalizada.
De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro. Este tomou a seguinte decisão que pareceu justa:
“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito por ocasião da morte dessa criatura. Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo quando essa criatura morrer. Mas como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, moldou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver. E uma vez que entre vocês há acalorada discussão acerca do nome, decido eu: esta criatura será chamada Homem, isto é, feita de húmus, que significa terra fértil”
Entendimentos dessa ordem levaram os Congressistas do XV Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, realizado em Goiânia em 1991, a reconhecer, na introdução de Decálogo dos Direitos do Homem ao Saneamento e Meio Ambiente, o Homem como parte integrante da Natureza. Diferente de se ver como tripulante de uma nave espacial, distante de se considerar dono da terra. Parte integrante, que do pó sairá e ao pó retornará por força de suas raízes.
Saber cuidar dessa relação é saber cuidar da vida. É ter a natural prática da ética.
(in) JUSTIÇA SOCIAL
Fome, falta de acesso à água potável, recrudescimento de doenças epidêmicas, analfabetismo, condições sub-humanas de moradia, secas e inundações, perseguições religiosas e étnicas, discrepâncias econômicas, transformações nas relações capital-trabalho. Um enorme rol de circunstâncias limita a redução das distâncias entre ricos e pobres comprometendo as condições de vida e da saúde de enormes contingentes mundo afora.
Até aqui vimos que a essência da ética é a vida num sentido pleno; vimos também que a Terra é compreendida como um superorganismo vivo, altamente organizado e com um equilíbrio sutil, sempre frágil e sempre por refazer; vimos que somos parte integrante da Natureza; que a Terra não pertence ao homem, o homem é que pertence à Terra e que todas as coisas são interligadas, assim como o sangue nos une a todos.
Ora, o quadro desafiante que nos é apresentado pela mídia com os impactos das mudanças climáticas, as hordas de migrantes de povos sofridos e perseguidos, o terrorismo cada vez mais inventivo e avassalador, nos leva a instigante pergunta sem resposta: quão distante está a sociedade moderna de superar as diferenças criadas pela evolução do processo produtivo até aqui conquistada, transformando as distâncias em um quadro mais próximo do caminho para a justiça social tão almejada? E, no caso específico desse painel, como a esfera privada pode concorrer para transformar as injustiças em um ambiente menos desigual, mais harmônico no sentido da paz e compreensão, em que a ética preserve a sua essência, qual seja a qualidade equilibrada de vida?
MENOS É MAIS
As discrepâncias entre necessidades, meios e consumo, estão sintetizadas na assertiva menos é mais.
Atribuo boa parte dos problemas éticos com que se defronta a Humanidade ao modelo econômico adotado como mola propulsora do desenvolvimento de alguns países à custa da exploração de riquezas de outros, ignorando os seus impactos em todo o contingente de mais de 7,550 bilhão de seres humanos.
Referido modelo se sustenta pelo crescimento desmedido dos meios de produção ignorando a capacidade da natureza de se repor seus recursos. Projeções do World Wide Fund for Nature – a WWF indicam que se as atuais projeções se concretizarem a humanidade consumirá perigosamente até 2050 duas vezes mais recursos que o planeta pode gerar por ano.
É do arquiteto alemão Ludwig van der Roher a máxima less is more – menos é mais, hoje difundida por campanhas promovidas no Brasil por vários comunicadores como o professor gaúcho Leandro Karnal, e pelo jornalista carioca Pedro Bial secundado por atores da Rede Globo de Televisão.
Qualquer que tenha sido o contexto que tenha inspirado o seu criador, qualquer que seja a leitura que lhe seja atribuída nos dias atuais, o que se pode inferir é uma reflexão sobre os hábitos da sociedade de consumo onde, por exemplo, a obesidade é uma tendência na mesma linha em que a proliferação de academias para queima de energia se mostra um negócio promissor nos grandes centros urbanos do ocidente, assim como cresce o número de pessoas que se submetem a cirurgias bariátricas. Um contrassenso na contramão dos contingentes de famintos ou subnutridos que sobressaem aos nossos olhos nas campanhas da organização Médicos Sem Fronteiras.
SETOR PRODUTIVO & SETOR SOCIAL
É compreensível que o setor produtivo, a aqui denominada esfera privada, venha fazendo sua auto crítica na busca de um novo modelo que se direcione à continuidade da evolução do mundo dos negócios adotando uma conduta pautada no desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, conhecido como desenvolvimento sustentável, ou seja influenciado pela ética da preservação da vida.
O hoje denominado setor social surge como uma reação natural a esse estado de coisas. Essa tendência emerge a pouco mais de 40 anos e embora atual para muitos ainda se mostra exótica, como uma moda passageira para muitos, muitos outros.
Os conceitos são novos e ainda se misturam. Afinal, qual é o nome que se dá para um rico empresário que decide doar parte significativa de sua fortuna para desenvolver o setor social? Ou para um ativista que de tanto protestar inicia um movimento que acaba mudando tudo ao seu redor? Afinal, quem é o empreendedor social?
Trecho da narração de RODRIGO SANTORO para o filme QUEM SE IMPORTA de Mara Mourão
Em várias culturas surgem iniciativas nesse sentido. Algumas organizações como o Rotary foram criadas no início do Século passado (1905) nos primórdios da Revolução Industrial. Seguem nessa trilha entidades como o Lions, integradas por líderes sensíveis e visionários que constituíram fabulosas redes de relacionamento do bem, hoje com mais de 2 milhões e meio de cidadãos voluntários. Ao considerar o contingente da Organização Mundial do Movimento Esoteiro, esse número é acrescido por mais de 40 milhões de pessoas voltadas ao desenvolvimento de projetos humanitários direcionados à construção de um ambiente de paz e compreensão, e interação harmônica com a Natureza.
Outras iniciativas empresariais mais recentes são disseminadas no sentido de práticas éticas no mercado e alguns exemplos serão citados adiante como testemunhas dessa evolução.
CÓDIGOS VERSUS CULTURA
A narrativa até aqui traçada evidencia a ampla abrangência sobre o entendimento da ética associada à sua essência, ou seja, à vida. Contudo, o Brasil da era Lava-Jato tem-nos levado a associar ética (ou melhor, a falta desta) restrita à corrupção. É natural que a indignação coletiva nos faça reagir dessa forma.
Nesse particular, episódios nacionais e estrangeiros ocorridos com grandes corporações, mostram que empresas envolvidas em grandes escândalos exibiam em seus sites na internet extensos Códigos de Ética declarando seus compromissos com boas práticas empresariais e com a sociedade com que se relacionam.
Ora, se tinham Códigos de Ética, como entender tantas transgressões? Simples. Os Códigos funcionam como declarações formais sem que, contudo, as pessoas que atuavam nessas organizações tivessem condutas consentâneas. Ou seja, tinham Códigos, mas lhes faltavam a Cultura de Ética.
Pela experiência que trago em minha trajetória no mercado por mais de cinco décadas como executivo de grandes e complexas empresas, afirmo que as empresas são o resultado da interação das pessoas que as integram.
Inúmeros casos dão sustentação a esta minha tese. O envolvimento dos profissionais, aeronautas e aeroviários com a Varig, como exemplo emblemático, foi tamanho que a empresa se manteve em operação internacional sem que seus clientes percebessem o estado falimentar que lhe era imposto pelas circunstâncias. A Varig demonstrava ser o resultado positivo da interação de seus determinados e orgulhosos homens e mulheres que amavam o que faziam e que se integravam plenamente, mesmo diante de tamanhos óbices com que se defrontavam.
A Varig tinha cultura empresarial mais que códigos ou regulamentos.
CORPORATIVOS E HUMANOS: LUCRAR E RESPIRAR
No Brasil convencionamos tratar os indivíduos como pessoas físicas e as corporações, quaisquer que sejam seus propósitos e tamanhos, como pessoas jurídicas. Essa forma legal de distinguir umas das outras me parece perversa, pois distancia os humanos da sua interação nas empresas.
A maneira lusitana de tratar esse tema me parece mais adequada à compreensão da importância da interação das pessoas para a formação da cultura organizacional. Em Portugal denominam-se Pessoas Colectivas, ou seja, o aglomerado de pessoas humanas forma o ser coletivo.
Além de minha afirmação anterior sobre as empresas serem o resultado da interação das pessoas que as integram, costumo levar as equipes com as quais me relaciono a refletirem sobre a metáfora do lucro para as empresas, em comparação com o oxigênio para os seres humanos. Aqui é fundamental citar o Embaixador carioca Marcilio Marques Moreira: “Toda empresa não pode prescindir do lucro, da mesma maneira que nós precisamos respirar para viver. Mas nós não vivemos para respirar e, da mesma forma, a empresa e o empresário não vivem para lucrar. O lucro deve servir a empresa e não a empresa deve servir ao lucro. Tocar uma empresa vai muito além de gerar lucros, pois ela tem de ter em conta não só o bem-estar do acionista (shareholder), mas também o de todos os outros stakeholders – funcionários, clientes, fornecedores, meio ambiente, comunidades em que se inserem, além da sociedade em geral.”
Ou seja, será o lucro a razão de existir das empresas? Ou será atender às suas funções sociais no mercado o que legitima sua permanência nos negócios?
CORRUPÇÃO E CULTURA DE TRANSGRESSÕES
Penso que a ganância possa ser fenômeno comportamental gerado pelo modelo perverso de desenvolvimento dos negócios na sociedade moderna. Ganância como ambição; cobiça ou desejo intenso, imoderado por bens e riquezas; usura; busca incessante pelo lucro; em que há agiotagem. Vontade intensa e permanente de possuir e/ou de ganhar mais do que os demais. (definições encontradas no Dicionário Online de Português).
Ganância que talvez explique as tantas práticas de empresários corruptores e autoridades corrompidas vilipendiando os milhões de seres que buscam sobreviver diante das agruras que lhes são apresentadas na selva de suas cidades.
Ganância que transforma jovens autointitulados caçadores de marajás e executivos de destaque internacional em condenados pela Justiça e repudiados por milhões de pessoas que lhe fizeram depositários de sua confiança e esperança.
Ganância desenvolvida e nutrida por décadas e décadas, e que somada à cultura de transgressão constitui o meio de cultura que faz do Rio de Janeiro, por exemplo, o berço nacional das transgressões, como afirma o professor mineiro José Murilo de Carvalho: “Pergunto se, de fato, a transgressão é um fenômeno nacional, localizável igualmente em todas as regiões do pais, em todas as classes sociais, em todos os tempo. Existe o brasileiro como transgressor universal, ou sua relação com a lei varia de acordo com regiões, classes sociais, escolaridade, épocas? Diria que a transgressão é, de fato, como a feijoada: não é nacional. Feijoada é prato típico do sudeste … A imagem da transgressão e malandragem estendida ao pais inteiro é projeção do que seria uma característica carioca para o resto do país. A projeção é compreensível, uma vez que o Rio foi, por muito tempo, capital nacional. Até mesmo Walt Disney colaborou nessa empreitada, apresentando a figura do Zé Carioca como imagem do brasileiro.”
Quando li essas palavras em Cultura das Transgressões no Brasil – Lições da História, me vi tomado por um ímpeto de indignação, confesso como carioca da gema que sou. Mas como é de meu caráter, abri minha mente ao outro, para compreender o autor. E aqui estou a reproduzir suas palavras para ilustrar meu pensamento.
É claro que a cultura das transgressões e da corrupção é um fenômeno inerente ao ser humano. Longe de ser como a jabuticaba, ou a feijoada. Mas o fato é que nos cabe, aqui nesse momento, realizar uma autocrítica isenta até para permitir que sejamos os protagonistas das mudanças necessárias para afastar os males sociais que produzimos e dos quais em última instância acabamos por ser vítimas.
INVERSÃO DA TENDÊNCIA
Sou perseverante em meus ideais, e vejo o mundo com os olhos do otimismo. Quando decidi editar Ética – Uma Caminhada Sem Linha de Chegada, convidei personalidades de minhas relações pessoais para que colaborassem com textos em que registrassem suas visões diante de suas comprovadas experiências de vida, como a engenheira Olga Simbalista e o General pernambucano Otávio Santana do Rêgo Barros para mencionar dois dos 25 articulistas que atenderam ao meu convite.
Educadores, empresários, magistrados, militares, clérigos, executivos. Personalidades experientes que tratam sobre educação, direito, família, saúde, serviços voluntários em dezenas de textos primorosos e encorajadores.
O interesse pelo tema levou-me a concentrar minhas atenções em estudar iniciativas de sucesso no meio empresarial nacional e do estrangeiro, fruto de intensa pesquisa e das relações que me são proporcionadas pelo convívio com Rotarianos espalhados por todo o Brasil e pelos países com os quais mantenho contato direto. E os resultados são auspiciosos, encorajadores.
O banqueiro indiano Muhammad Yunu, Prêmio Nobel da Paz em 2006, ousou conceber o Banco Grameen, inspirador de tantos bancos de microcrédito espalhados pelo mundo, e que empresta a pequenos empreendedores sem exigir garantias nem papéis, sendo, sobretudo, procurado por mulheres.
O empresário estadunidense Bill Gates, associado honorário do Rotary Club de Seattle, participa da campanha mundial de erradicação da poliomielite, promovendo vultosas doações pecuniárias pela Fundação Melinda Gates para a Fundação Rotária, além de servir como voluntário em países da África nos dias nacionais de vacinação pelo programa Polio Plus de Rotary International e a Organização Mundial da Saúde.
O ator, empresário, produtor e filantropo estadunidense Matt Damon fundou com Gary White a Water.org. Uma de suas mais recentes iniciativas foi a campanha firmada com a Stella Artois para promover o acesso à água potável no Brasil. Presente em 14 países, tem o objetivo de impactar e engajar os brasileiros sobre a questão. A cada cálice especial de Stella que for vendido, a ONG doará cinco anos de água potável para comunidades escolhidas.
Do empresário carioca Jorge Paulo Lemann, a AMBEV lança a água AMA e reverte 100% do lucro para levar acesso à água potável à população do semiárido brasileiro.
Por criação do engenheiro carioca Haroldo Mattos de Lemos, enquanto Presidente do Conselho Empresarial do Meio Ambiente e Desenvolvimento da Associação Comercial do Rio de Janeiro, a Casa de Mauá manteve o concurso para realce das iniciativas empresariais dignas de reconhecimento por uma comissão de notório saber, para a outorga  do Prêmio ACRJ de Sustentabilidade que por sete anos consecutivos destacou investimentos de empresas de grande, médio e pequeno porte em ações que as distinguiram por práticas éticas em seus segmentos.
Esses são apenas alguns dos incontáveis exemplos encorajadores que compõem o magnifico mosaico de providências da esfera privada em curso para pontuar a inversão de tendência para um novo rumo para a sociedade.
NOVO RUMO – Conclusão
É evidente o tamanho do desafio para que a sociedade em progresso permanente adote práticas condicentes com os requisitos esperados pelo cidadão comum
Campanhas inspiradoras como a empreendida pelo Rotary Club do Rio de Janeiro, a partir da criação do empresário cearoca, Aroldo Araújo – Ética, Um Principio Que Não Pode Ter Fim, e que agora ganha espaço por inúmeros países que abraçam essa causa, fazem parte da nova caminhada sem linha de chegada.
A Escola Superior de Guerra, ao adotar a realização deste Seminário, dá um passo de valor inestimável para que os vários segmentos das elites brasileiras compreendam o valor que se precisa dar a práticas éticas.
A Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, atendendo a sua missão, promove princípios éticos pelos cursos que empreende em todo o País por ação de suas Delegacias e pode ousar fazer o postulado da Ética chegar à nossa juventude por intermédio de um programa que relembre a notável figura do Almirante Benjamin Sodré, seu fundador e primeiro Presidente.
A parceria das organizações que empreendem este Seminário é o corolário de reconhecimento com o qual encerro estas reflexões agradecendo a generosa atenção de todos, submetendo esses pensamentos à critica e comentários desta seleta plateia.
  • Conferência proferida por Joper Padrão no Seminário sobre Ética e Cidadania, Escola Superior de Guerra.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Rio clama por um novo rumo: INTERVENÇÃO JÁ!!!



No Domingo 23 de julho, em uma das praias da Cidade Maravilhosa, 91 cruzes negras foram fincadas na areia, simbolizando os policiais militares mortos ao longo dos primeiros meses de 2017.

Na parte da tarde a senhora Fernanda, viúva do sargento Hudson, morto no Vidigal, concedeu entrevista ainda no necrotério. Dizia ela: “Eu estou viúva sem marido, meus filhos órfãos sem pai, enquanto o governador do estado está em um SPA de 14.000 reais por semana”.

Pouco importa quem irá pagar essa conta no SPA. Importa, sim, saber que a pessoa que deveria estar no comando da gestão estadual nesse momento de indiscutível crise que se aproxima do caos social toma tal atitude. Afinal, doentes buscam em hospitais ou casas de saúde a recuperação de seus males. tentar explicar que um SPA também seja um local para tratamento de saúde não convence aqueles que buscam as UPAs e os |Hospitais públicos e deixam de ser atendidos por absoluta falência da máquina governamental. Soa, sim, como escárnio, pouco caso com os seus semelhantes.

Sexta feira, 14 de julho, após palestra que fiz ao final da tarde no IBMEC Rio, eu retornava ao meu lar quando no início da noite, às 20:00 hs, num engarrafamento, em local de grande trânsito e bem iluminado junto ao estádio do Maracanã, fui vítima de um atentado a minha vida, com o disparo de uma arma de fogo por alguém que nada me subtraiu; muito pelo contrário, me deu a chance de sobreviver para dar ainda maior utilidade a minha vida.

Com o braço direito dilacerado pelo tiro, e com forte hemorragia fruto do rompimento da artéria ligada a veia cava, consegui energia e lucidez para conduzir meu próprio carro até o hospital mais próximo onde mereci os primeiros socorros e a cirurgia ortopédica para recomposição do úmero dilacerado em fratura exposta. Do ocorrido, resta a paralisação de minha mão direita como resultado do rompimento do nervo axial. Como destro que sou, terei que me reeducar e superar as adversidades resultantes desse lamentável episódio.

Longe de mim a intenção de me vitimizar ou tornar-me mártir. No entanto, a mesma lucidez que tive me leva a profundas reflexões. Como terão reagido Roosevelt, Churchill ou Stalin nas doenças de que certamente padeceram durante a Segunda Grande Guerra? Terão eles buscado recuperação em estâncias de repouso de alto luxo em suas regiões? Ou terão se mantido com sobriedade a frente de seus postos de comando, inspirando seu povo a resistir e perseverar na direção da vitória?

Semana passada numa grande reunião em Brasília em que representantes do Governo Federal e do Estado reuniram-se para anunciar ao povo “nenhuma novidade”, como se socorro estivesse sendo concedido magnanimamente ao Estado do Rio, assistimos a lamentável entrevista do Governador que em atitude de espanto declarou publicamente que desconhecia que os reforços anunciados já se encontravam no Estado sob o seu comando. Se fosse o líder de nossa família, essas e outras atitudes levariam os familiares a pensar na interdição de uma pessoa que demonstra ter perdido lucidez e o senso de decisão. Como se trata de alguém eleito pela população, não há que se cogitar dessa solução jurídica. Porém a Constituição Federal aponta remédio legal para situações semelhantes às vividas pelo povo fluminense. Refiro-me ao artigo 34 que dispõe sobre as condições de intervenção da União nos Estados em situação de exceção.

Nestes dias de UTI e em meu leito hospitalar mantive minhas orações, constantes desde menino, em peço a Deus forças para ser útil a cada dia, a um número sempre maior de pessoas. Fruto dessas reflexões entendo que minha sobrevivência me impulsiona a propor que o povo fluminense e os cariocas como parte, tenha a altivez de clamar à Nação para que a União faça, sem maiores delongas, a sua parte cumprindo o disposto na artigo 34 da Constituição Federal.

Os cariocas viram a capital federal lhes ser subtraída e nada disseram à época. Fluminenses e cariocas viram a fusão dos seus Estados acontecer sem que nada tivessem dito na ocasião própria. Lembra o poema do niteroiense Eduardo Alves da Costa (No Caminho com Maiakóviski). Esse é, pois, o momento de tomarmos as rédeas de nosso destino e como povo apontar a solução: a aplicação do artigo 34 da Constituição Federal.

Da Tribuna Ivette de Castro Siqueira, do Rotary Club RJ – Tijuca, assim como na reunião Plenária do CR RJ, fiz estas minhas palavras ecoarem como sementes plantadas em solo fértil no coração dos que me ouçam ou leiam,  alcançando meus irmãos fluminenses e fazendo com que o clamor pela intervenção da União no Estado do Rio de Janeiro dê novo rumo à nossa História, virando a triste página do vazio governamental que nos faz temer mais e mais a cada novo dia.










Ilustração http://economia.estadao.com.br/blogs/o-direito-ao-seu-alcance/a-constituicao-da-republica-completa-27-anos/ colhida em 26/7/17

domingo, 9 de julho de 2017

Equipes são como Correntes




Servir é um instinto animal

Por instinto, animais se inquietam com animais. Cães demonstram o senso de proteção de seus semelhantes assim como aves e tantas outras espécies.

Também por instinto, animais se inquietam com seres humanos. Na equoterapia cavalos propiciam a superação dos desafios de pessoas com deficiências ou necessidades especiais. Cães são adestrados como guias de deficientes visuais; identificam drogas camufladas; buscam sobreviventes em escombros.

Por compaixão, seres humanos são solidários com animais. Ao invés de sacrificar aqueles com deficiências, a sociedade busca o desenvolvimento científico para a superação de circunstâncias adversas. Próteses e órteses são cada vez mais comuns. O bico de um tucano pode ser recomposto por uma prótese impressa em 3D com material derivado do milho (ácido poli lático), restituindo a capacidade do animal se alimentar.

Pessoas se mostram solidárias com animais e com outras pessoas, simultaneamente. Quando um animal de estimação se sente perdido de seu habitat é comum que pessoas estranhas ajudem o animal em demonstração de solidariedade ao seu tutor humano.

Seres humanos são solidários com seus semelhantes. Basta lembrar as inúmeras organizações de voluntários como a Cruz Vermelha Internacional, os Médicos Sem Fronteiras, o Exército de Salvação, e os clubes de serviços como Lions e Rotary International, e tantas outras. São comuns as demonstrações de apoio mútuo entre humanos, quer no cotidiano em entidades como a Casa Ronald McDonald, quer em catástrofes ocasionais como os salvamentos em inundações ou incêndios.

Por sua relevância na sociedade moderna, a solidariedade foi reconhecida pelas Nações Unidas como um dos valores fundamentais para as relações internacionais no Século XXI. Em setembro de 2000, líderes de estado e de governo de 189 países se reuniram em Nova York para reafirmar sua “fé na Organização e em sua Carta como fundamentos indispensáveis de um mundo mais pacífico, próspero e justo”. Os valores considerados fundamentais incluíam a liberdade, a igualdade, a solidariedade, a tolerância, o respeito pela natureza e a responsabilidade compartilhada.

Aristóteles afirmou que “nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência não é um ato, mas um hábito”.  Aquele que desenvolve o hábito da solidariedade como atitude espontânea, tende a ser reconhecido como pessoa que faz a diferença em suas comunidades.


Liderar para servir

Desde suas origens primitivas, o homem demonstra ser um animal que vive em grupos. Seu instinto gregário é semelhante ao de outros animais. Busca estar entre seus comuns para se proteger das adversidades.

Com a evolução da espécie desenvolveu o espirito da família e cultuou seus valores.

A produção veio a requerer a organização de grupos e estes fizeram surgir aqueles que se destacam entre seus semelhantes para facilitar atingir objetivos comuns. Comandantes perfilam a frente de suas tropas nas forças militares. Chefes conduzem as tarefas daqueles que lhes são subordinados nas empresas. E quanto aos Líderes? Há quem se apresse em dizer (por óbvio) que líderes lideram. Prefiro outra expressão: Líderes inspiram!

É atribuída a Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) a máxima de que “Palavras comovem ... e os exemplos arrastam!” Perfeito!

É comum que se associe a prática da liderança a outras pessoas com as quais lidamos em nossas atividades. Mas será que liderar “os outros” é o maior desafio? Será liderar os colegas, os colaboradores, os familiares? Ou será a própria pessoa o mais instigante de todos?

Jacob Petry, em O Óbvio Que Ignoramos, conclui que “após descobrir nossos talentos,                    temos de definir um propósito claro e específico que nos ajude a dar um sentido à nossa vida.”

A definição pelo próprio indivíduo do sentido de sua vida lhe possibilita assumir a liderança de seu destino.


Servir em Equipe

Todas as equipes suscitam expectativa por parte daqueles que as rodeiam, que com elas interagem, a respeito de sua performance.

O trabalho em equipe é uma permanente fonte de aprendizado. Cada membro deve sentir autoconfiança e liberdade para exercitar a sua criatividade sem, contudo, ferir a disciplina e a harmonia de atuação do grupo.

Superação, determinação, persistência e perseverança são caraterísticas das equipes de grande desempenho.

Todos os seus integrantes devem manter confiança mútua e se habilitarem a suprir as eventuais deficiências daquele que atua a seu lado.

A resistência de uma corrente se mede pelo seu elo mais frágil. Quer dizer que todos devem estar atentos a todos, permanentemente, de modo apoiar aquele que, por circunstâncias da vida, demonstre momentos de insegurança, de instabilidade, de debilidade, de fraqueza, de modo que se sinta fortalecido e incentivado a perseverar, persistir, superar a sua adversidade, sem jamais deixar de se sentir parte do todo, da realização da equipe que integra.

Assim são as equipes: como correntes humanas fortes e dinâmicas.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Transparência e Participação

O noticiário nacional dá conta da negociação em curso entre o Ministério da Fazenda e o Estado do Rio de Janeiro de um Termo de Compromisso que deverá ser apresentado à Presidente do Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira, 26 de janeiro. As matérias incluem a transferência do controle acionário da CEDAE para o Governo Federal, como contrapartida do Governo do Estado, junto com outras medidas como corte de despesas, redução de incentivos fiscais e aumento de arrecadação por meio da alíquota da contribuição previdência.
Segundo palavras do Ministro Meireles em entrevista à imprensa em 24 de janeiro, no documento que vai ser assinado o Estado do Rio de Janeiro se compromete a apresentar à Assembleia Legislativa as medidas para transformação em Lei. No entanto, ainda segundo suas palavras, tal Termo será apresentado à Presidente do Supremo Tribunal Federal que, se julgar razoável, poderá antecipar até mesmo a aprovação de leis a respeito.
No tange à CEDAE, incluída na negociação como um ativo contabilizado e monetizado, entendo, de minha parte, ser indispensável que se traga à opinião pública, para conhecimento e contribuição da sociedade civil, o modelo proposto. Tenho posição isenta e defendo a tese de que no caso das empresas estaduais de saneamento, o que importa em relação ao modelo empresarial é a garantia da eficiência da gestão para a melhoria dos serviços à população. 
Entretanto, considero inadmissível que o modelo que afeta a gestão de uma empresa com a complexidade operacional da CEDAE, pela operação do sistema integrado do Guandu, que abastece uma população de mais de 9 milhões de habitantes na Capital e Cidades da Baixada Fluminense, só venha a conhecimento da sociedade após sua consagração pelos órgãos superiores da administração pública federal e estadual e, até mesmo, do Supremo Tribunal Federal. 
Urge que a opinião pública seja informada e que a clareza venha a imperar para que os serviços de saneamento sejam adequadamente prestados à população fluminense. O assunto requer Transparência para que a Participação das partes envolvidas e principais interessadas o aprimore para o bem de todos.                                           
Joper Padrão

sábado, 14 de janeiro de 2017

Privatização do Saneamento?


Sou empresário. Portanto, nada contra a iniciativa privada. Contudo, jamais serei irracional a ponto de imaginar que a livre iniciativa seja uma panaceia. Se assim o fosse, tudo estaria resolvido nos países como a Inglaterra. E a propósito vale sugerir assistir a I, Daniel Blake, em exibição nas telonas, para entendermos o quanto falta caminhar para que essa falsa ideia seja verdade.

No caso das empresas estaduais de saneamento fico à vontade para opinar pois tendo passado 49 anos de minha vida profissional numa das maiores Empresas Estaduais de Saneamento do Brasil, adquiri conhecimento prático sobre sua importância para a sociedade, especialmente para os menos favorecidos, as pessoas que vivem (se é que podemos atribuir esse termo à condição imposta aos que habitam as comunidades e favelas espalhadas por nossas cidades ...) incrustradas no tecido social que habitamos, e que chamamos de Cidade.

Soma-se a essa experiência prática, a vivência com ilustres acadêmicos e personalidades do setor, pelo convívio por todas as partes do Brasil através da ABES Associação Brasileira de engenharia Sanitária e Ambiental, em que sempre militei como o faço neste momento ao compor sua Diretoria Nacional.

Sem me considerar o dono da verdade ou a última palavra, simplesmente me afasto de ser um homem ansioso para interpretar à luz da história e com o apoio da cultura as manchetes de cada dia. A de hoje em O Globo informa: Oito estados começam a privatizar o saneamento ... BNDES abre licitação para contratar projetos de desestatização de seis empresas".

Ora, basta conhecer o curso do rio acima (para usar um jargão apropriado ...), reavivar um pouco de nossa memória recente para lembrar o processo adotado com os Bancos estaduais. Um por um, como um castelo de cartas, foi caindo nessa mesma lógica.

Ocorre que privatizar dinheiro, leva ao resumo da ópera que temos hoje. Já privatizar saneamento, requer muito mais cautela e debate com as pessoas que serão afetadas diretamente para que, em nome das gerações futuras, atitude que alguns pretendem jamais seja uma aventura privatizante.

Ontem fizeram aos bancos estaduais; hoje pretendem fazer às empresas estaduais de saneamento; será que as universidades serão o efeito Orloff de amanhã?

E para concluir estes pensamentos, me socorro do poeta niteroiense Eduardo Alves da Costa em No Caminho, com Maiakoviski:

Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada... Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa., rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

Essa é a minha intenção: mostrar minha indignação com a falta de clareza no que alguns, que se consideram donos do poder pretendem, sem jamais calar-me, sem permitir que tirem minha voz.

É preciso que se entenda com absoluta clareza qual o curso que se pretende dar com o desvio do rio abaixo porque, caso contrário, num futuro bem próximo veremos os professores (e talvez só eles ...) clamarem contra a falácia das soluções mirabolantes que só satisfazem a alguns poucos.

Joper Padrão

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O Gato Está no Telhado Mais Uma Vez


Em 1975, a proposta de fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara  partiu do Poder Executivo, conduzido naquela época por um presidente militar, o general Ernesto Geisel. Segundo ele, a fusão “já estava nas minhas cogitações antes de assumir a presidência da República. Já era um assunto que se analisava e desde então foi acertado. (...) Estudou-se como se tinha de fazer e preparou-se a legislação. Reclamam de eu não ter feito um plebiscito. Ia ser dispendioso e eu não pretendia mudar minha opinião”.

Estas informações estão no site da MultiRio, empresa da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.
Em 2017, a insistência do Governo Federal que assumiu após o impeachment faz lembrar esse episódio. E o povo fluminense deve reagir energicamente, pois mais uma vez corre o risco de ser vitimado por decisão autoritária que impactará a vida e a saúde de milhões de cidadãos sem que estes sejam ouvidos.

Agora, a ânsia de alguns, sabe-se lá movida por quais interesses indeclaráveis, se volta à privatização da CEDAE, como se essa medida viesse a solucionar os problemas da malfadada crise financeira do Estado.

Será inadmissível que daqui a algum tempo, venhamos a ler alguma entrevista, seja lá de quem for do Palácio do Planalto ou no Guanabara a dizer com desfaçatez: “Eu não consultei os interesses da população por ser dispendioso e por não pretender mudar a minha opinião ... e não querer contrariar os interesses econômicos por trás dessa minha decisão”. 

A frase final será bem apropriada nesses dias em que um dos responsáveis (no caso o casal) pela “crise” está preso no presídio que inaugurou, e que dúvidas pairam sobre outros mais, inclusive com de personalidades a quem são atribuídos pseudônimos cômicos dados por delatores de propinas ou desvios de recursos públicos por grandes empreiteiras. 

Afinal, as noticias do Ministro da Fazenda desta fatídica quarta-feira, 11 de janeiro, dizem que o gato (seja ele de que raça for) subiu no telhado mais uma vez... e está por detrás da pressão inconfessável pela privatização da empresa de saneamento do Estado.

Joper Padrão
Ex-Presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
Seção Rio de Janeiro



Ilustração: http://pt.gofreedownload.net/free-vector/vector-misc/vector-cat-on-the-roof-81486/#.WHdJQvkrI2w