quarta-feira, 28 de março de 2012

EXALTAÇÃO AO SONHO

Lá pelos idos de 2000 eu iniciava a inacreditável jornada como então Governador Indicado para o Distrito 4570, convidando uma equipe de líderes para compor aquela que a partir de então passaria as se denominar como “Equipe Padrão”. Um dos primeiros passos foi o de dar a partida no processo de planejamento estratégico, atitude pioneira no Brasil.

Ao Governador de Distrito cabe, dentre outros desafios, a criação de novos Clubes de Rotary. A demanda social é crescente e Rotary precisa de novas unidades para atender às necessidades das comunidades. Ao fazer uma retrospectiva, a Equipe verificou que o Distrito vinha crescendo, com timidez, o número de Rotary Clubs. Assim, contando então com 67 Rotary Clubs, ousamos definir como meta o incremento de 10% no tamanho do Distrito, ou seja, nos determinamos a empreender a criação de sete novos Clubes.

A criação de um Rotary Club obedece a uma sequência de ações a partir da prospecção de mercado. Naquela ocasião, a avaliação da área abrangida pelo Distrito 4570 nos mostrava possibilidades de crescimento a partir de concentrações de líderes profissionais e empresariais que pudessem se interessar por formar novas unidades. Assim, focamos os condomínios residenciais e os shopping centers da Barra da Tijuca; os novos bairros na Capital (como o do Vasco da Gama, entre São Cristóvão e Caju); bairros da Capital sem cobertura (como Santa Teresa e Realengo); cidades vizinhas com apenas uma oportunidade de reunião (como Nilópolis); e eventuais cidades vizinhas sem Rotary Club.

Em fevereiro de 2001 o grupo de 36 casais Governadores Indicados se reunia no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em embarque para Anaheim, Califórnia, para o tão esperado treinamento, orientação no Presidente Eleito de Rotary International e eleição em Assembleia Internacional. Alguns casais já vinham mantendo contato anterior por meio virtual, e aquele era o momento do estreitamento das relações.

Acomodados na aeronave para uma viagem relativamente longa, sentaram-se lado a lado Heledirce e Vitória, e os Governadores George Pinheiro e Joper Padrão. Surgia, então, uma grande, sincera e duradoura amizade entre os “Águias Reais” dos Distrito 4720 e 4570, eles da região amazônica, o Distrito de maior extensão territorial do Mundo e nós, por oposto geograficamente, de um dos de menor área, (talvez o menor de todos) embora o mais antigo de língua portuguesa.

Quis o destino que em nossas conversas logo surgisse a questão da criação de novos Clubes. Falamos sobre a intenção de ambos de fazer crescer os respectivos Distritos e nós, aqui do sudeste, com a determinação de instalar sete novos Clubes ao que George, destacada liderança do Acre, logo sugeriu: “Governador Joper, que tal criar um novo Clube no Alpha Barra? Tenho apartamento e lojas lá e sei que ali tem um número de lideranças capaz de formar um novo Clube de Rotary”.

A semente estava plantada em solo fértil. Ao regressar, partimos para a identificação daqueles que seriam os representantes especiais do Governador para a formação dos novos Clubes. Aquele grupo de “Governadores dos Paletós Pretos” havia recebido instruções inovadoras em Rotary. Uma delas: os Clubes padrinhos podiam ser de áreas diferentes daquela onde o novo Clube seria formado, desde que tivessem pelo menos 20 associados. E os representantes do Governador podiam ser de qualquer Clube do Distrito, sem distinções.

O próximo passo: identificar esses líderes e os Clubes padrinhos. Gil e Cida Loja se destacavam, assim como outros Companheiros, com as características ideais para motivarem novos líderes. Eles moravam no Alpha Barra e estavam associados aos Rotary Clubs do Grajau e Vila Isabel respectivamente. Eram rotarianos experientes e entusiasmados.
Tácito Melo Barbosa, meu afilhado e associado ao Rotary Club da Tijuca era designado para servir ao Rotary como Secretário Distrital, e ele e Christina mudavam o domicilio do Rio Comprido para o Recreio. Pronto! O que até então era uma sugestão de um acreano de visão, começava a se materializar.

Um novo horizonte se descortinava para o rotarismo no Distrito 4570. Contando com o apoio de três Rotary Clubs de grande expressão (Grajaú, Recreio dos Bandeirantes e Barra), logo percebemos que a nova unidade proporcionaria uma aproximação entre Companheiros de Clubes de outros bairros que haviam, a exemplo de Tácito, transferido suas residências e negócios para a Barra, como o atual Presidente José Augusto, até então associado ao Rotary Glória. Da mesma forma, rotarianos de outros Estados logo perceberam a oportunidade de retornarem a Rotary, como Edson Ayres. A eles, novas lideranças rapidamente se juntariam como o arquiteto Floriano e outros mais.

Estava concebido, então, o que viria a ser a gênese do Rotary Sernambetiba: uma fabulosa mescla de diversas experiências rotárias estimulando novas lideranças. E hoje, o que se vê, é essa maravilhosa realidade que a todos encoraja a acreditar que sonhar e lutar pela realização dos sonhos é frutuoso.

O Rotary Sernambetiba, nesta noite em que a sociedade carioca celebra o seu 10º aniversário, reafirma a máxima que Raul Seixas imortalizou, em sua canção Prelúdio, com o pensamento atribuído a John Lennon: “A dream you dream alone is only a dream. A dream you dream together is reality".

Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade.

De minha parte o sentimento que nutro nesta noite é o de profunda gratidão. Ao Governador George Pinheiro, pela inspiração; ao Companheiro Tácito Barbosa, pela abdicação; a Zélia Perruci e todos os companheiros que se somaram na empreitada de sua consolidação, pelo apoio; aos Clubes Padrinhos, Grajau, Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca, pelo estímulo; a Alexandre Sosinho, Eduardo Ribeiro e a todos os que nestes dez anos passaram pelo Rotary Sernambetiba, pela agregação de valor; a Gil Pinto Loja e aos que pranteamos pela perda do inesquecível convívio, pelo legado.

É amigos: o esforço é grande e o homem é pequeno! Encerro esta mensagem à comunidade desta região litorânea da Capital do Estado do Rio de Janeiro, da Cidade Maravilhosa, com esperança e fé no futuro, inspirado neste jovem e maduro Rotary Club RJ Sernambetiba, reafirmando os versos de Fernando Pessoa em Padrão:

O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.

A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quintas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.

E a cruz no alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

Vida longa ao Rotary Sernambetiba! Louvados sejam Companheiros!

Joper Padrão do Espirito Santo
Saudação ao Rotary Club RJ Sernambetiba na reunião de celebração do 10º anioversário de fundação
Rio de Janeiro, 17 de março de 2012

domingo, 18 de março de 2012

Rotary e Lions Caminhos Comuns para a Paz



Em 1989 o documentário Ilha das Flores, curta-metragem, trazia a público um legado ainda hoje analisado e discutido. Seu Roteirista e Diretor, Jorge Furtado, descrevia de forma ácida e com linguagem atraente (embora quase científica) como a economia pode gerar desigualdades entre os seres humanos. Laureado em vários festivais (Gramado, 1989; Berlim, 1990; Clermont-Ferrand, Nova York, e Hamburgo em 1991) o curta recebeu inclusive o reconhecimento da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil o Prêmio Margarida de Prata em 1990.

Da comparação entre tomates, galinhas e seres humanos, a narrativa demonstra mostra as diferenças entre cada um desses elementos, e evidencia o homem como o único dentre eles que dispõe de “tele encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor” (mote reforçado por todo o roteiro). Em círculos crescentes, trata sobre a cadeia econômica que envolve a plantação de tomates, a criação de galinhas e os seres humanos como empresários e consumidores, até chegar ao aterro sanitário (no caso o da Ilha das Flores -um caso verídico naquela época) e ao porco, outro animal adotado pela estória para mostrar o quanto o ser humano, levado por princípios meramente materiais, pode chegar ao máximo da injustiça social contra seus próprios semelhantes.

A economia, suposto ambiente árido, jamais foi motivo para que todos os seus agentes adotassem práticas que os levassem por caminhos como o denunciado no filme. Muito pelo contrário! Assim, empreendedores que surgiram do ventre da Revolução Industrial jamais se mostraram absolutamente avessos a compreender as necessidades do próximo. Ao contrário, muitos se mostraram altruístas, com práticas humanitárias, mesmo diante do desafio de construir o mercado capitalista baseado no lucro.
Charlie Dieckens, aliás, aborda essa questão - a do empresário insensível e de seu arrependimento, de forma magistral na obra Um Conto de Natal (A Christmas Carol, 1843). Nessa fábula, um amargo homem de negócios chamado Ebenezer Scrooge, recebe a visita do fantasma do seu finado sócio, Jacob Marley, condenado no além a sofrimentos acerbos e penitências atrozes em razão da má conduta terra. Scrooge tenta confortar o desditoso Marley, dizendo que ele tinha sido excelente, ao que a desventurada alma rebate aos prantos: “Negócios! A humanidade é que deveria ter sido o meu negócio. O bem-estar comum; caridade piedade, compaixão, perdão e benevolência é que deveriam ter sido o meu negócio.” Inspirado neste conto, o Companheiro em Rotary Richardo King, Presidente de Rotary International 2001-2002, motivou todo o universo rotário com o lema: Mankind is our business, traduzido para o português como A Humanidade é a Nossa Missão.

Foram homens de negócios com elevado senso de justiça que decidiram juntar-se em grupos com afinidades que, mais recentemente contando com a fabulosa adesão de mulheres profissionais e empresárias, constituem hoje verdadeiros fenômenos da sociedade moderna, como demonstração cabal de que o mundo pragmático jamais há de transformar “o ser dotado de tele encéfalos altamente desenvolvido e polegar opositor” em pessoa insensível.

São esses indivíduos, com aguçada sensibilidade humanitária, que materializam e dão dimensão a entidades como Rotary e Lions em mais de 80 mil grupos locais instalados em suas comunidades, usualmente conhecidos como Clubes de Serviços.

Fruto da genialidade e da ousadia de alguns poucos como os fundadores Paul Harris e Melvin Jones, essas entidades dignificam o papel do empresariado na sociedade, desde muito antes de se falar em responsabilidade social.
Fundadas nos primórdios do Século passado, ambas se mostram experientes e ao mesmo tempo vanguardistas, sempre adiante dos tempos e dos acontecimentos. Rotary surgiu em 1905, nos Estados Unidos da América, e com seus 107 anos de existência, se coloca com seus 34 mil Rotary Clubs frente aos desafios da caminhada rumo ao segundo centenário. Lions foi fundado em 1917, no mesmo País de origem, e se vê às vésperas de seu primeiro centenário com seus 46 mil Lions Clubes, efeméride que merece ser celebrada em grande estilo, à altura de sua folha de serviços prestados.

Os contingentes que integram as duas organizações mostram números espetaculares. Mais de 1.350.000 Leões e 1.213.000 Rotarianos perfilam como associados. Porém, se considerados jovens, familiares, ex-companheiros e voluntários arregimentados nas comunidades, pode-se avaliar que a cifra total de prestadores de serviços dessas duas organizações contabilize aproximadamente 5 milhões de pessoas atuantes em todos os Continentes fazendo a diferença por seus hábitos cotidianos, por sua conduta ilibada, por sua determinação de fazer deste um Mundo cada vez melhor.

Esse contingente se torna mais representativo ainda, se considerado o patrimônio moral e a experiência de liderança que esses cidadãos agregam por intermédio de cada uma de seus Clubes

Essas lideranças mantém agradável convívio que denominam como “Companheirismo”, verdadeira liga que torna possível a aproximação e a aceitação de pessoas de diferentes segmentos de mercado, mas que se identificam pelo ideal que lhes é comum.

“Vocês todos tocaram um ponto importante”, ressaltei. “Os Leões de todos os lugares participam de uma vasta variedade de programas de serviço, se engajam em algumas campanhas de arrecadação de fundos recompensadoras e, é claro, se dedicam aos ideais sintetizados na filosofia do Nós Servimos. Entretanto, é o maravilhoso companheirismo compartilhado por todos os membros que nos mantêm juntos. É este caloroso e aconchegante companheirismo que construí as pontes entre Leões de diferentes línguas, religiões e culturas, pontes que estão permitindo que os Leões se unam em programas de serviços e como indivíduos tendo um propósito comum. Entretanto, este companheirismo é testemunho em todos os níveis do Lions Clube Internacional e ninguém pode deixar de admirar como ele consistentemente, quebra quaisquer barreiras que possam existir entre as pessoas.”

Estas são palavras do Companheiro em Lions Augustin Soliva, Presidente Internacional de Lions período 1996-1997 que bem ilustram a prática do Companheirismo. O mesmo líder que em dezembro de 1996 manteve encontro histórico com o Presidente de Rotary International, o Companheiro Luis Vicente Giay iniciando um caminho sem fim que permanece iluminando novas lideranças, e que hoje nos traz a esse encontro também histórico na Cidade de Marilia. Quis o destino que neste período esta Cidade produzisse simultaneamente dois grandes líderes dessas organizações: pelo Distrito LC8 de Lions, o Companheiro Governador Ricardo Komatsu, médico respeitado e reconhecido; e pelo Distrito 4510 de Rotary International, o Companheiro Governador Márcio Medeiros, jornalista e empresário renomado e de destaque internacional. Anfitriões que escrevem páginas dessa História maravilhosa de companheirismo e caminho lado a lado.

Companheirismo como meio de proporcionar oportunidades de servir. Companheiro, expressão latina derivada de cum panis, que significa aquele com quem se divide o pão. E no caso de Lions e Rotary, o pão a ser dividido é o ideal de servir. Companheirismo, termo que em certas circunstâncias parece confundido com amizade, embora haja profunda diferença entre o primeiro, que cria laços de compromissos com uma causa, enquanto o segundo estabelece relações afetivas entre pessoas. A propósito desses termos, vale reconhecer que por mais que seja louvável que do convívio fraterno surja amizade entre companheiros, é o Companheirismo que une diferentes indivíduos fazendo desses Clubes organizações sempre pujantes.
Traços corporativos mostram que ambas as entidades traduzem propósitos bastante semelhantes. Mas dois pontos em comum se destacam na missão de cada organização: SERVIR; e PAZ e COMPREENSÃO MUNDIAL.

Associação Internacional de Lions Clubes

Dar poder aos voluntários para que possam servir suas comunidades e atender suas necessidades humanas, fomentar a paz e promover a compreensão mundial através dos Lions Clubes.

Rotary International

A Missão do Rotary International é servir ao próximo, difundir a integridade e promover boa vontade, paz e compreensão mundial por meio da consolidação de boas relações entre líderes profissionais, empresariais e comunitários.

Longe de ser mera coincidência, esses três pontos fazem parte de um ideário que atrai o interesse permanente de novos líderes empresarias por juntarem-se a seus comuns, fazendo a renovação do tecido social que tem possibilitado o a existência sustentável de Rotary e de Lions.

“Sempre questionei a existência de um motivo para haver guerra. Ao ler e ver histórias em que o ser humano é o único ser que mata por prazer e de forma banal, além do necessário, isso sempre assustou-me. O que faz uma pessoa odiar tanto a outra a ponto de desejar que ela morra? Como pode uma criança ser treinada para a guerra? Como viver em escombros e envolta de tanta destruição? Descobri que para eu influenciar o Mundo a ter Paz e a Compreensão Mundial preciso praticar no meu mundo individual e particular. Tenho minhas próprias guerras a enfrentar, meus conflitos a serem negociados e principalmente a minha luta diária. Acredito que a partir do momento que eu cultivar a Paz no mundo em que eu sou o Todo Poderoso, estarei fazendo a minha parte para que o Mundo de um modo geral tenha a Paz e a Compreensão Mundial. Quando eu pratico a Paz, ajudo na conspiração em favor da Paz. Quando eu passo a compreender os idosos, os jovens e aqueles que são diferentes de mim, estou ajudando o Mundo a ter a Compreensão Mundial. Por isso que eu posso ajudar neste processo, e tenho que fazer a minha parte.”

Assim o Companheiro em Rotary Márcio Medeiros, Governador do Distrito 4510 inspira seus Companheiros a servir como construtores da paz.
Rotary e Lions, fenômenos dos tempos modernos cujas atividades se superam a cada dia como fruto da criatividade dos voluntários que as integram. Com alegria, seus associados dão de si, antes de pensar em si, como dizem os Companheiros em Rotary. Quando se trata de aceitar desafios, sua resposta é simples: “Nós Servimos”, como afirmam os Companheiros em Lions.

Sim, servem, sem pensar em si mesmos. Esses incansáveis voluntários atuam nos mais variados campos das atividades humanitárias. Saúde, educação, moradia, erradicação da miséria, proteção ao meio ambiente, resolução de conflitos, aperfeiçoamento de lideranças, apoio em catástrofes, e em tudo o mais que se faça necessário, lá estarão Companheiros Rotarianos e Leões trabalhando incansavelmente para que condições dignas sejam proporcionadas a todos, independentemente de suas diferenças sociais, étnicas, religiosas, culturais, etárias, de opção sexual, ou qualquer outra.

Gerações de líderes se revezaram ao longo de décadas para que Lions e Rotary chegassem até aqui com a grandiosidade que se apresentam à sociedade. Pessoas que fizeram, e permanecem fazendo a diferença na sociedade humana. Nem melhores, nem piores que ninguém: apenas desejosos de contribuir para a construção de um Mundo onde a paz e a compreensão sejam constantes e duradouras. Profissionais e empresários que dignificam os mercados por suas atitudes em seus ambientes de negócios. Gente comum no seu modo de ser, mas que fazem diferença por seu comportamento de elevado padrão de ética e conduta moral. Gente bondosa, confiável, agradável, que promove o desenvolvimento do próximo. Gente que se importa, que se interessa, que se incomoda, que se inquieta, que produz, que afaga, que é solidária, que sorri, que ama a vida e o próximo. Gente especial, no mais estrito sentido da palavra.

Lions e Rotary, parceiros das Nações Unidas e das organizações a ela vinculadas. Rotarianos e Leões que participaram ativamente dos acontecimentos no Século XX, anos marcados por guerras sangrentas, por descobertas científicas que mudaram o rumo da humanidade, por avanços nas pesquisas aeroespaciais e marítimas. Anos em que a construção e a que do Muro de Berlim ocorreram; em que a era industrial deu lugar à era do conhecimento. Anos de autenticas revoluções sociais, de reequilíbrio de forças internacionais, de modificação de desigualdades, de encurtamento de distâncias, de aumento significativo da longevidade, da liberdade sexual, da discussão mundial do papel das minorias. Século em que a geração libertária dos anos 46 a 64 (os Baby Boomers), deu lugar à juventude competitiva dos anos 65 a 79 (a geração “X”), e logo adiante à juventude plural dos anos 80 a 2000 (a geração “Y” ou Millenial). E em todo o desenrolar desses avanços se fizeram presentes Leões e Rotarianos como atores da cena social, como agentes da mudança, como instrumentos da paz.

Uma questão importante pode colaborar para maior clareza quanto à importância do papel de Rotary e Lions nesses acontecimentos. E a pergunta é singela, talvez sem resposta objetiva: Como seria o Mundo nos dias atuais sem a existência de Rotary e Lions? Aqueles que perfilam nesses Clubes “sabem” o quanto teria sido diferente ... Ou seja, Lions e Rotary tiveram e continuarão tendo contribuições decisivas para o progresso da Humanidade.

Ora, se tantos pontos lhes são comuns, e tão poucas diferenças existem entre ambas, como será o Mundo se esses Companheiros puderem se conhecer, se aproximar e, respeitadas as características da cultura de cada organização, puderem realizar ações complementares, em verdadeira parceria? Certamente o Mundo será ainda melhor.

Na atualidade muitos conceitos empresariais são revistos, verdadeiramente repaginados. Hoje, até mesmo concorrentes se tornam parceiros. Da era do “ganha/perde”, em que uma empresa aumentava seu volume de negócios às custas da redução de volume de suas concorrentes, a sociedade evoluiu para a era do “ganha/ganha”, em que até concorrentes podem ganhar em parcerias estratégicas.

Ora, Rotary e Lions jamais foram e jamais serão concorrentes no estrito sentido da palavra. Contudo, tem em comum a busca pelos mesmos recursos escassos estratégicos: Líderes. Significa imaginar que ações complementares ou em parceria podem ser benéficas para ambas as organizações, projetando positivamente seus integrantes e o trabalho que promovem para o bem comum em favor da paz e da compreensão, atraindo assim ainda mais a atenção de novos contingentes de líderes que possam se somar a cada uma delas.
Líderes mundiais dessas duas extraordinárias organizações vêm promovendo já há alguns anos, encontros mundiais que propiciam essa visão por parte de lideranças regionais. Augustin Soliva e Luis Vicente Giay foram pioneiros e forjaram seguidores. Que seus exemplos sejam inspiradores para que outros encontros sejam promovidos, como o empreendido pelos corajosos Governadores Márcio Medeiros e Ricardo Komatsu, do Distrito 4510 de Rotary International e do Distrito LC8 de Lions Internacional na Cidade de Marilia, neste memorável Sábado 17 de março de 2012.

Os Companheiros Márcio e Ricardo ampliam os gestos praticados há 10 anos atrás pelos Governadores Joper Padrão e Marise Athayde, do Distrito 4570 do Rotary International e do Distrito LC1 de Lions Internacional, quando a convite do primeiro, a Governadora Marise entronizou a Bandeira de Lions na abertura da Conferência do Distrito 4570 de Rotary, permanecendo as Bandeiras lado a lado durante 3 dias até o encerramento do encontro máximo de um Distrito rotário.

Também ampliam acontecimentos como as reuniões conjuntas promovidas pelo Companheiro em Lions o médico Izidoro Flumignan, Presidente do Lions Clube do Rio de Janeiro, Mater Clube do Brasil e a Companheira em Rotary a advogada Suely Manhães, Presidente do Rotary Club Rio de Janeiro – Tijuca, em que o tema central “Os desafios do Lions e do Rotary diante das novas tecnologias e valores deste século” foi desenvolvido por 4 Governadores de ambas as organizações, num painel extraordinariamente rico, primeiramente na assembleia do Lions conjunta com o Rotary, e em menos de um mês numa reunião ordinária do Rotary conjunta com o Lions, no Rio de Janeiro, em 2011.

Essa trajetória de sucesso vem sendo fruto da visão ousada de uma advogada, pessoa muito especial, que acompanhou em vida o seu marido, advogado dedicado a causas humanitárias. Trata-se da Companheira em Lions Zelonada Ribas, do Lions Clube do Rio de Janeiro. A Companheira Zeloanda recebeu o título de Companheira Melvin Jones e em ato contínuo o de Companheira Paul Harris, em reconhecimento por significativas doações às Fundações de cada entidade. Incansável, foi essa Dama quem promoveu a aproximação mencionada de 10 anos atrás. Sem cessar a sua determinada busca pela aproximação, acabou sendo reconhecida como associada honorária de três Rotary Clubs do Distrito 4570: os de Laranjeiras, Flamengo e Glória. Ou seja, uma Companheira em Lions e em Rotary!

Poeta com vasta obra dedicada a Lions, Zeloanda brindou a todos com a invocação de abertura da reunião conjunta de 2011:

Senhor!

Na imensidão do firmamento
O astro-rei vive a brilhar
E longe vai meu pensamento
Para poder te invocar !

Invoco a Deus, neste instante
E sei que ele está me ouvindo
Pois vejo em cada semblante,
Um coração sorrindo !

Invoco, sim, pela paz,
Por nossos Governadores,
Por Leões e Rotarianos
Que nos dão os seus favores !

Senhor !

Invoco, por este encontro,
Onde se soma a experiência
E o Rotary e o Lions
Afirmam sua sapiência

Invoco, neste momento,
De respeito e gratidão
Que haja, sempre, um Rotariano
Onde houver um bom Leão !

Invoco a felicidade
Para todos que aqui estão
Pois cada um, na verdade,
Tornou-se um belo Padrão !

Invoco! Invoco e agradeço
Para uma vida louçã,
Que o LIONS seja um sucesso
No ROTARY, Hoje e Amanhã!!!

São caminhos para o futuro; são mais que hipóteses ou planos, são ações práticas de parceria que podem ser encorajadas e que certamente nos mostrarão, ao longo da caminhada, que rumo certo tomar em cada situação, em cada localidade e no plano mundial.

“Acredite que basta uma pessoa para fazer a diferença. Acredite que o mundo inteiro pode ser transformado quando trabalhamos unidos, como Leões (e Rotarianos). Acredite que o transformar de uma vida – ou do mundo inteiro – começa dentro de cada um de nós. EU ACREDITO”, como afirma o Presidente Internacional de Lions Wing-Kun Tam.

“A mudança é a razão pela qual estamos aqui e é o que buscamos, pois estamos insatisfeitos com o menor denominador comum. Vemos o mundo diferente de como ele é, mas sim como deveria ser, e acreditamos, assim como Gandhi, que devemos ser a mudança que desejamos ver no mundo. Por isso, Conheçam a Si Mesmos para Envolver a Humanidade; tenham coragem, abram suas mentes e corações para novas possibilidades no servir e que permaneçam no caminho certo”, como propõe o Presidente de Rotary International Kalyan Banerjee.

Enfim, sementes vêm sendo plantadas em solo fértil e generoso. Estas sementes germinarão. E, como nos versos de Fernando Pessoa, tenhamos como certo que “A alma é divina e a obra é imperfeita. Este padrão sinala ao vento e aos céus, que, da obra ousada, é minha a parte feita. O por-fazer é só com Deus”.

Obrigado!

Joper Padrão do Espirito Santo
Marilia, 17 de março de 2012

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Boas Vindas ao Governador Wanderley Chieza

Afortunadamente o Conselho Diretor do Rotary Club RJ Tijuca me concede a honra de dirigir ao Governador Wanderley Chieza a saudação pela sua Visita Oficial a esta unidade rotária e a este tradicional bairro com tantas contribuições para a História do Rio de Janeiro.
Celebrados 252 anos de sua existência, a Tijuca viu nascer, em 1949, o seu Rotary Club que daqui a uma semana celebra 62 anos de ininterruptas atividades humanitárias voltadas à paz e à compreensão, causa que vem unindo gerações de profissionais e empresários tijucanos.
Na década de 50 aqui funcionavam indústrias cujos produtos eram consumidos por todos os brasileiros. Os Sabonetes Eucalol – cujas estampas eram o ambicionadas por milhares de colecionadores, fundada pelos irmãos Stern;  o Xarope Phimatosan – do gingle que crianças e adultos entoavam – Phimatosan, melhor não tem, é o amigo que lhe convém, fruto da genialidade do Dr. Thamires Protásio;  ou as Bombas Dancor – instaladas em residências e edifícios das grandes cidades aos menores lugarejos de todo o Brasil, surgida da criatividade de Daniel Correa, todos Rotarianos da Tijuca.

Tijuca que gestou empresas fabulosas como o Prontocor, nascida na residência da família Regalla, do memorável  casal Governador João Augusto e Dhyla Regalla. Tijuca que manteve por décadas a maior fábrica de produtos de tabaco do Brasil – a Souza Cruz,  que teve como Médico do Trabalho o saudoso Dr. Marino, igualmente inesquecível casal Governador Marino e Elza Gomes, ambos do Distrito 457.
Tijuca do Instituto de Educação, que teve Tônia Carrero como uma de suas “Normalistas”; do Colégio Militar do Rio de Janeiro – a Casa de Thomaz Coelho;  do Pedro II;  do Batista Sheppard; do São José Marista; do Regina Celi, Santos Anjos e tantos, tantos outros.

Grande Tijuca da UERJ, das Universidades Cândido Mendes e Veiga de Almeida. Tijuca do Hospital Pedro Ernesto, da Policlína Naval N. Sra. da Glória, da Marinha do Brasil, do Hospital da Venerável Ordem Terceira da Penitência – com maior número de leitos do Rio de Janeiro – da UPA e postos municipais de saúde, e de tantas clínicas particulares. Da Praça Governador Marino Gomes Ferreira do Rotary International, das Praças da Bandeira, dos Cavalinhos – a Xavier de Brito, do polo gastronômico – a Varnhagem – e do eterno América – a Afonso Pena.
Tijuca dos Clubes sociais como o Tijuca Tênis Club, parceiro de todas as horas e que acolhe as reuniões do Rotary Tijuca há décadas seguidas; do Montanha Club, onde desde 1949 rotarianos plantam  Árvores da Amizade, e onde é mantido,  desde 2001, o Bosque da Amizade do Rotary Tijuca; do Club Municipal, Monte Sinai, e inúmeras entidades de preservação de cultura lusitana.

Tijuca dos templos religiosos de todas as crenças, de católicos romanos e ortodoxos, evangélicos, judaicos, islâmicos e espiritas.

No Rotary Tijuca quando nos referimos à Grande Tijuca,  tratamos dos limites territoriais deste Clube. Perímetro delimitado por uma linha imaginária que, partindo do Cristo Redentor, segue até a Praça da Bandeira, de lá pela linha do trem até o Viaduto da Mangueira, sobe até o Pico da Tijuca, de onde volta até encontrar seu ponto de partida, o símbolo da Cristandade  e um dos sete monumentos do Mundo Moderno . Uma área fabulosa, habitada por um povo pacato, criativo, alegre,  progressista e acolhedor – o Tijucano.

Tijuca das Escolas de Samba (entre estas duas campeãs – o Salgueiro e a Unidos da Tijuca), das comunidades, hoje pacificadas  (Rotarianos dedicam todos os seus esforços à construção da Paz, como os Comandantes e Praças dessas unidades militares)  com suas UPPs que propiciam integração de irmãos, o acesso a serviços públicos e o desenvolvimento socioeconômico dessas áreas. Tijuca do 1º Batalhão da Polícia do Exército, do 6º Batalhão da Polícia Militar, do 11º Grupamento de Bombeiros Militares, da Guarda Municipal – que aqui experimentou, com sucesso, a primeira UOP Unidade de Ordem Pública da Capital.
Tijuca da Floresta tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Tijuca que participa ativamente dos megaeventos que serão realizados na Cidade Maravilhosa, com o Maracanã como palco do jogo de encerramento da Copa do Mundo de 2014 e destaque dos Jogos Olímpicos de 2016.

Tijuca que com tantos e tantos predicados, inspira líderes profissionais e empresários à prestação de serviços voluntários em torno da causa maior de Rotary – Paz e Comprreensão, e que nos leva a trabalhar com inesgotável entusiasmo e alegria, irmanados por companheirismo contagiante.

Rotary Tijuca detentor do Prêmio Paul Harris 1964 – 1966 pela criação das salas oficinas e da FRET Fundação Rotária de Educação para o Trabalho; Rotary Tijuca que implantou a Creche Patinho Feliz com a dedicação do inesquecível Companheiro José Siqueira; que emprestou duas de suas companheiras para presidir a Casa da Amizade da Família Rotária do Rio de Janeiro -  Ivette de Castro Siqueira – a mais idosa Rotariana, falecida aos 99 anos de idade em plena atividade rotária, e da hoje mais antiga – sem que seja  a mais idosa – Sônia Assis; que presidiu a APAR – Associação Patrulha Jovem do Rio – com este Companheiro que lhes fala, e o Centro de Estudos Rotários – com o Governador Bemvindo Dias.

Rotary Tijuca do planejamento estratégico e das parcerias com a Casa Ronald McDonald – de apoio ao humanitário a jovens em tratamento do câncer infanto-juvenil; com a Sociedade de Amigos da Pediatria do Hospital Gafrée e Guinle – SAPE, que hoje recebe doações de nossos generosos visitantes e que são destinadas às crianças portadoras de HIV; o Sodalício da Sacra Família, que acolhe meninas e moças deficientes visuais; a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE, aqui nascida na Casa das Palmeiras.

Rotary Tijuca – imortalizado pelo saudoso Companheiro Celso Macedo em seus versos como O BOM PRA VALER - dos jovens intercambiados, do Papai Noel Comunitário, do plantio de Árvores da Amizade em logradouros públicos, do envolvimento e da participação comunitária. Das saudáveis e frutuosas relações com a Sub-Prefeitura da Grande Tijuca e com a Administração Regional do Bairro.

Rotary Tijuca da Fundação Rotária, com dezenas de Companheiros Paul Harris, com membros da Paul Harris Society, das relações internacionais e de geminação que irmana três continentes, com os Rotary Clubs de Vila Nova de Gaia – em Portugal, de Luanda – em Angola e de Calgary – Olympic, no Canadá.
Rotary Tijuca do Grupo de Apoio, formado por nossos cônjuges e do Rotaract Tijuca, por nossos jovens parceiros no servir desde 1991.

É este bairro, estimado Governador Chieza, e este Rotary Club, que recebe o Companheiro  com alegria e entusiasmo. Você que decidiu dedicar um ano de sua vida para incentivar seus mais de 1.400 companheiros espalhados por 68 Rotary Clubs na Capital, Cidades da Baixada e Petrópolis.

Você merece nosso respeito e admiração por compartilhar de boa parte do tempo que dedica a sua vida familiar e profissional para servir como  motor exemplar para todos os Rotarianos.

O Companheiro Wanderley Chieza, senhoras e senhores,  é um contabilista que há mais de 4 décadas milita em seu atividade profissional, com sua empresa estabelecida na Barra da Tijuca – a ACEF Assessoria Contábil, Econômica e Fiscal.
O Governador Chieza  é um daqueles de quem se pode dizer tratar-se de um profissional multidimensional, conciliando a competência e dedicação empresarial testada pelo mercado e aprovada por seus clientes, com o gosto pela cultura e com a prática do voluntariado. Tal qual propunha o modelo idealizado por Peter Drucker, é um homem feliz tanto pelas realizações familiares, quanto sociais. Um homem que sabe medir o seu efetivo senso de compartilhamento dos desafios da comunidade.

O Governador Chieza certamente é um autêntico exemplo de alguém que procura conhecer a si mesmo a cada dia para envolver a Humanidade com o exemplo de sua conduta reta e inspiradora.

É com essas palavras e com o melhor carinho que lhe podemos oferecer que a comunidade tijucana lhe dá Boas Vindas,  Governador Wanderley Chieza. Que sua trajetória, ao lado de sua amável esposa Elza, seja  coroada de sucesso. Que o resultado de sua dedicação seja frutuoso. Vida longa e feliz ao Casal Chieza. De pé, saudemos o casal com o nosso mais caloroso aplauso de agradecimento e acolhida. Boa Ventura Governador Chieza!

 Tijuca Tênis Club, Dezembro 07, 2011

Os Desafios do Lions e do Rotary diante das tecnologias e valores do novo Século


A tecnologia da informação e os valores do novo Século são desafios para organizações centenárias que emergem do mundo dos negócios, formadas por profissionais e empresários que dedicam parcela significativa de seu tempo e recursos no apoio e desenvolvimento de projetos humanitários, com extensa folha de serviços à Humanidade, como o Lions e o Rotary.Mas, assim como um copo com metade de seu volume com água pode ser visto como meio vazio, ou meio cheio, esse mesmo binômio – tecnologia e valores – pode ser considerado como desafio, no sentido de problema, ou oportunidade, como chance para a pavimentação de nossas estradas pelo presente e futuro próximo.

Ao mesmo tempo em que as comunicações virtuais nos mostram um novo contingente de jovens plugados na rede mundial pela Internet, tendentes a um suposto isolamento, ensimesmados em suas telinhas, essas mesmas redes servem de meio para que grandes concentrações populares possam ser espontânea e rapidamente convocadas, como no caso da última passeata contra a corrupção em várias cidades do Brasil, quando milhares de pessoas foram à ruas movidas por contatos pelo Facebook.

Assim como o noticiário nos coloca diante de fatos que denigrem a condição humana que nos levam a entender que os valores sociais possam estar em estado de degradação, vê-se por outro lado a consciência crescente no sentido da reversão dos danos provocados à Natureza, num clamor pela ética que possa restabelecer o equilíbrio necessário que garanta condições de vida para as gerações futuras, como é o caso do Plano Visão 2050 produzido pelo empresariado que integra o World Business Council for Sustainable Development em busca da efetiva sustentabilidade no mundo dos negócios.

A evolução da tecnologia tem sido uma mola propulsora do desenvolvimento social em todos os campos de sua aplicação. Será, então, um desafio para Leões e Rotarianos? Em nossas empresas a adotamos para incrementar nossas atividades. O mesmo podemos fazer em nossas entidades.

No Século passado sobrevivemos a duas Grandes Guerras, enfrentamos as adversidades de cada época, superamos as mazelas de mundos divididos e nossas entidades cresceram. Nestas últimas décadas o Muro de Berlim foi derrubado e mercados comuns foram estabelecidos, como o Europeu.

Nesse mesmo mundo, empresários se mostram sensíveis à implementação de programas corporativos com investimentos comunitários de significativa relevância. São homens e mulheres dinâmicos que vislumbram oportunidades na área de responsabilidade social. Certamente, têm o perfil idêntico ao de companheiros Leões e Rotarianos, mas aos quais nos falta demonstrar o quanto nossas entidades podem servir a seus legítimos ideais corporativos.

Se, então, as tecnologias e os valores podem ser fatores propulsores do crescimento de nossos quadros associativos, quais serão então os obstáculos com os quais nos defrontamos?

Steven Covey explora em seu livro O 8º Hábito, um conjunto de entrevistas com alemães que habitavam Berlim Ocidental e Berlim Oriental antes e depois da queda do muro. As entrevistas gravadas nos mostram que as mesmas pessoas que sofriam com a separação que os tijolos lhes impunha, que lutaram por sua derrubada, logo em seguida à queda passaram a sentir a sua falta. Incrível, mas as diferenças culturais lhes fizeram "sentir falta" do muro .
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Conclui, então, o autor que os muros mais difíceis de serem derrubados são os "muros interiores" que criamos em nossas mentes e no modo de ver e entender a mudança.

Esse, então, pode ser um dos desafios de entidades centenárias: a adaptação à mudança!

Nesse sentido, também devemos ter otimismo. Temos evoluído ao longo dos tempos. Esta reunião conjunta, fruto da iniciativa do Lions Club do Rio de janeiro e que encontra no Rotary Club da Tijuca ressonância, é um exemplo desse constante espírito de saudável adaptação à mudança. Estamos fazendo História!

Outras iniciativas como esta ocorrem pelo Mundo. Em Marilia, progressista Cidade do Interior de São Paulo, o Governador de Rotary – Márcio Medeiros, e o Governador de Lions – Ricardo Komatsu, já acertaram para o mês de março de 2012 um encontro conjunto. Lá estarei para, ao lado de um Companheiro em Lions (provavelmente Augusto Soliva – de São José dos Campos), prosseguir na caminhada iniciada em maio de 2002, quando a Governadora de Lions entronizou a Bandeira dessa fabulosa organização na Conferência do Distrito 4570 de Rotary International, na Casa de Espanha.

É imperativo que se compreenda o resultado positivo das parcerias do bem. Do quanto o trabalho conjunto pode ser frutuoso para todos.

Além da adaptação à mudança, um segundo aspecto a considerar deve ser o da compreensão do público-alvo que se pretende alcançar: Líderes profissionais e empresariais que ainda faltam conhecer nossas organizações. Esses homens e mulheres são muitos exigentes quanto à disponibilidade de seu tempo. Precisam sentir eficácia nas ações para se aproximarem e manter efetivo interesse. Trazem consigo redes de relacionamentos profissionais com os mesmos requisitos. E é nosso desafio mostrar-lhes uma face de resultados efetivos, de praticidade e da sinergia que resulta de suas inserções em nossas redes mundiais.

Em resumo, companheiros e companheiros em Lions e em Rotary: os avanços tecnológicos e os valores dessa sociedade da qual fazemos parte podem ser propulsores do fortalecimento de nossos propósitos humanitários. É nosso desafio manter constante atitude proativa diante da mudança dos tempos, como protagonistas da História, e fazer com que nossas redes de companheiros se expanda com a adesão de novos contingentes de líderes que com o seu modo de ver a vida, possam agregar suas experiências em favor do desenvolvimento humano.

Líderes são como águias: não se acham em profusão. Eles se destacam entre os demais e permanecem fiéis aos compromissos assumidos. Assim acreditamos. Líderes anseiam por estar próximos de batalhadores e vencedores; jamais de vencidos, derrotados ou derrotistas. Precisamos, pois, perseverar em nossos propósitos, elevando cada vez mais alta as bandeiras de Lions e de Rotary em nossas comunidades, em favor da paz e da compreensão entre os homens.

Conhecendo a nós mesmos, conseguiremos envolver a Humanidade. Humanidade que é a Nossa Missão. Eu acredito!

Isto é Rotary! Isto é Lions! Vida longa a essas fabulosas organizações!

ACRJ, 19 de outubro de 2011.

sábado, 30 de julho de 2011

Tijuca - Forma de Gigante

Quem chega à Tijuca pela avenida Maracanã, do alto do Viaduto Oduvaldo Cozzi (o inesquecível radialista de esportes da Rádio Nacional), próximo ao Estádio do Maracanã, se depara com uma cena bastante instigante: a silhueta de um grande homem deitado se projeta do contorno do Maciço da Tijuca forma, com suas linhas insinuantes em confronto com o céu ao fundo.

O Gigante Adormecido da Tijuca é, certamente, uma ilusão de ótica, fruto da imaginação do ser humano. Quem se dispuser a melhorar a sensação da imagem,
basta girar a foto em 90º e o perfil da testa, nariz pronunciado, lábios, queixo, pescoço e tórax. Uma imagem de grande realidade. Um quadro belo e majestoso.

Há quem diga que o tijucano tende a valorizar as coisas boas do bairro. Se isso for verdade, é bom que assim seja, nesta ou em qualquer outra localidade. Afinal, a auto-estima de um povo está pautada pelo legítimo orgulho dos valores que compõem determinada comunidade. Desde que em boa dose, com equilíbrio, isso é uma característica cultural extremamente saudável, até mesmo admirável.

Talvez por isso, um ilustre engenheiro, músico por excelência, que abdicou de
construir obras civis, para interpretar obras ao piano, o saudoso Celso Macedo,
tijucano de quatro costados, que dedicou sua inspiração e criatividade a fazer
canções para entidades de voluntários. Numa delas, a marchinha exaltação
composta para o Rotary Tijuca, Celso estabeleceu uma metáfora entre a
grandiosidade do Clube de Serviços que viu nascer, com a silhueta da Tijuca que
via surgir ao final das tardes.

Na canção, os rotarianos afirmam há décadas: “Tijuca, Tijuca (referindo-se ao
Rotary Club ... parafraseando o nome do bairro ...), desde o primeiro instante,
mostrou forma de Gigante” (clube de rotarianos operosos, bairro de cidadãos
briosos).

Se a imagem do Maciço é fruto da ilusão de ótica, a metáfora que Celso plantou
em solo fértil foi transformada, pelos rotarianos que se sucedem ao longo de mais
de 6 décadas, em autêntica verdade: Tijuca – Forma de Gigante!

Joper Padrão do Espírito Santo
Governador 2001-02 do Distrito 4570 do Rotary International
Coordenador da Comissão da Imagem Pública do Rotary Club RJ Tijuca
Economista, Contador

domingo, 24 de julho de 2011

Tijuca e Formiga - Uma Ponte para a Paz

A Tijuca celebra nestes dias o primeiro aniversário da pacificação de algumas regiões que integram a comunidade tijucana como um todo. A implantação das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora, foi o primeiro passo para que o espaço público pudesse ser recuperado por seus moradores, afastando-os do medo e da violência.

Todas as UPPs da Tijuca se mostram importantes pois os moradores beneficiados por essa nova postura do poder público lhes propicia essa sensação de segurança, indispensável para o desenvolvimento social tão almejado.

Uma dessas regiões, em particular, merece ser melhor conhecida: a região da Formiga que registra entre os meses de junho e julho, uma semana inteira de eventos que traduzem, para os seus moradores, o que mais se espera: integração e paz.

O trabalho dos policiais militares comandados pela Capitão Carvalhaes se mostra eficiente neste curto espaço de tempo. A articulação que essa UPP vem promovendo com vários agentes sociais, atraindo-os para a missão da integração social, é inegável. Mas, além de tudo, esse momento deve levar todos os cidadãos tijucanos à ação que consolide esse trabalho, fazendo com que a Tijuca e a Formiga, assim como o Borel, o Salgueiro, e tantas outras regiões, se sintam efetivamente uma só comunidade, com o
estreitamento das relações sociais, o fomento à geração de emprego, o acesso aos serviços públicos comuns a todos, e tudo o mais que possa efetivamente levar que os cidadãos se sintam parte de um todo.

A experiência do convívio com os moradores da Formiga e seus vizinhos se mostra um real caminho de integração e paz. Que este seja o primeiro aniversário de muitos mais pelo futuro adiante, para que todos se sintam o que realmente são: Tijucanos Soberanos!

A sigla UPP bem pode ser associada à missão do Rotary na sociedade: Uma Ponte para a Paz. Que assim seja por todo o sempre. Amém!

Joper Padrão do Espírito Santo
Governador 2001-02 do Distrito 4570 do Rotary International
Coordenador da Comissão da Imagem Pública do Rotary Club RJ Tijuca
Economista, Contador

Publicado no Boletim nº 34 Ano 61 do Rotary Club RJ Tijuca (Ver em http://www.rotarytijuca.com.br/Boletim/Boletim34_RCRJ-Tijuca_29062011.pdf)

A Tijuca e a Limpeza Urbana

Um engenheiro exemplar, homem de fino trato, admirador das artes, teve a sensibilidade para enxergar a Tijuca como o bairro que deveria sediar a empresa criada em 1975 pela então recém criada Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, e que trataria com excelência e qualidade técnica uma tarefa até então pouco valorizada: a limpeza urbana.

Desde Aleixo Gary, o francês contratado em 1885 para cuidar do serviço de limpeza das praias e remoção de lixo da cidade para a Ilha de Sapucaia, a população carioca enfrenta a dura realidade de tornar limpas de resíduos sólidos as nossas ruas e praças, cuidando preventivamente da saúde pública.

O terreno da rua Major Ávila nº 358, onde hoje se localiza a sede da COMLURB foi adquirido pela Prefeitura em 1904 como medida para a melhor organização desse importante serviço público que, naquela época, contava com algo como 1.084 animais de tração (burros, em sua maioria), para recolher e destinar na Baía de Guanabara aproximadamente 560 toneladas de lixo despejados a cada dia em nossos logradouros.

Foi na Tijuca que se deu início, em caráter experimental, a aquisição de dois autocaminhões, representando a passagem do uso animal para o recurso mecânico na coleta.

Daquela época para os dias de hoje muitas transformações ocorreram. Hoje, na mesma rua Major Ávila, está concentrada a direção e órgãos de gestão dessa empresa pública, exemplo e referência internacional de boa qualidade na prestação de serviços à população. Com uma frota de mais de mil veículos e centenas de equipamentos especializados, a COMLURB recolhe aproximadamente 9 mil toneladas/dia de lixo domiciliar e de resíduos públicos, sendo 40% desse volume retirado de nossos
logradouros. Um trabalho de extraordinário valor, da Tijuca para todo o povo da Capital do Estado do Rio de Janeiro, para a boa saúde e conforto de mais de 6 milhões de habitantes.

Joper Padrão do Espírito Santo
Governador 2001-02 do Distrito 4570 do Rotary International
Coordenador da Comissão da Imagem Pública do Rotary Club RJ Tijuca
Economista, Contador

Publicado no Boltim nº 33 Ano 61 do Rotary Club RJ Tijuca (Ver em http://www.rotarytijuca.com.br/Boletim/Boletim33_RCRJ-Tijuca_22062011.pdf)