quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O Brasil, Poderoso e Feliz Há de Ser


Em 1978 prenunciavam-se, no Brasil, os ventos do fim do regime militar e a volta da democracia. Ainda pairava o medo da repressão, mas do meio artístico surgiam alguns expoentes que se expunham colocando suas ideias em forma de canção.

Cada poema, cada letra musicada tem sua razão de ser. O poeta, por sua natureza, é alguém que abre sua mente e se deixa permear por mensagens, nem sempre materializadas, que provocam o que Amit Goswani, com sua visão científica sobre a Física Quântica, denomina saltos quânticos descontínuos que acontecem nas artes, na música, na literatura, na matemática e em muitas áreas do conhecimento humano, do qual resultam os insights.

A História é escrita a cada dia. Nem sempre percebemos, porque somos os protagonistas do cotidiano e só no futuro somos capazes de voltar os olhos pra trás para lembrar dos tempos passados.

Assim estamos todos vivendo esses inesquecíveis dias de 2016 com tamanha dinâmica social.  Cada nova notícia encoraja a pensar que a Democracia esteja em ritmo acelerado de sua consolidação e que a sociedade brasileira evolui na direção de seu desenvolvimento futuro para que a Nação venha a ressurgir com novos paradigmas, abandonando alguns herdados de nossas origens mais longínquas.

Vira e mexe vem à minha mente a letra que em 1978 inspirou Ivan Lins, carioca tijucano como eu, de inesgotável veia musical, a compor Cartomante, imortalizada na voz do autor e de Elis Regina, uma de suas mais destacadas intérpretes.

Diz Ivan Lins:

Nos dias de hoje
É bom que se proteja
Ofereça a face a quem quer que seja

Nos dias de hoje esteja tranquilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares esqueça os amigos
Não pare nas praças não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não Ponha o dedo na nossa ferida... Ah...

Nos dias de hoje
Não lhes dê motivo
Porque na verdade
Eu te quero vivo

Tenha paciência
Deus está contigo
Deus está conosco
Até o pescoço

Já está escrito
Já está previsto
Por todas videntes
Pelas cartomantes

Está tudo nas cartas
Em todas as estrelas
No jogo dos Buzios
E nas profecias... ah...

Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!

A cada figura que esteve na proa dos acontecimentos nas últimas décadas, seja no meio político, seja no empresariado, e que se noticia a prisão em cárcere comum, é inevitável lembrar: Cai o Rei de cada, de todos os naipes. E que caiam, sim, independentes do porte dos cargos que ocuparam. Todos. Mandatários e até mesmo seus cônjuges se cúmplices como usufrutuários e usufrutuárias da boa vida que lhes foi proporcionada pela corrupção desenfreada.

Na Argentina, País vizinho, nosso irmãos portenhos tiveram coragem de ir fundo em suas mazelas. Agora é a nossa vez.

No dia de hoje, 07 de dezembro de 2016, quando o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo de nossa magistratura, realizar sua histórica reunião plenária para tratar com prioridade da decisão liminar de um de seus pares, estejamos tranquilos. Haja o que houver, pensemos em nossos filhos. Tenhamos paciência. Deus está conosco, até o pescoço. Já está escrito, já está previsto, por todas as videntes, pelas cartomantes, pela força da manifestação popular isenta de qualquer vinculação partidária como a deste fim de semana em inúmeras cidades de nosso País continental. Está tudo nas cartas, em todas as estrelas, no jogo de búzios e nas profecias .... que caiam todos aqueles que se locupletaram às custas dos mais sofridos que penam a cada dia nas filas dos hospitais, na falta de transportes adequados, nas mesas sem alimentação básica, nas roupas maltrapilhas.

Basta de reuniões na calada na madrugada, daqueles que indiferentes à comoção com a tragédia de Chapecó, se mostram sorrateiros para a tomada de decisões que certamente receariam tomar à luz da consciência de seus eleitores, informados pela livre imprensa que cumpre seu importante papel.

Caiam, sim, até que das estruturas antiquadas, distantes da realidade do povo, não fique nada! Sejamos perseverantes até que tudo se mostre claro e aceitável. Desde o nascimento, o ser humano sabe que para crescer há que sair da zona de acomodação, do conforto do útero materno. E isso implica em dor. E essa é a nossa fase de evolução.

Assim, o Brasil, por seus filhos amados, poderoso e feliz há de ser!









(ilustração colhida na internet em: https://contrapontosocial.wordpress.com/2016/06/07/cai-rei-de-espada-cai-o-rei-de-ouros-cai-o-rei-de-paus-cai-nao-fica-nada/)